O carvalho de Maria Antonieta em Versalhes morreu. De calor

O calor e a seca parisiense são responsáveis por mais uma vítima fatal. Na manhã do dia 26 de agosto, depois de longa agonia, morreu, nos jardins do Castelo de Versalhes, o ?Carvalho de Maria Antonieta", a tri-centenária e mais antiga das árvores do jardim, plantadas em 1681. Sua morte foi anunciada com tristeza pelo atual jardineiro do castelo, Alain Baraton, que responsabilizou diretamente a seca atual pelo acontecimento, convencido que sem isso esse enorme espécime, cuja sombra foi utilizada por Maria Antonieta para se proteger do sol em muitas tardes de verão, poderia viver pelo menos mais cinqüenta anos. "Desde o inicio do forte calor de meados do mês de agosto a árvore vinha sofrendo muito , tendo sido fragilizada pela canícula como numerosas pessoas idosas vivendo na região parisiense", afirmou o jardineiro Alain Baraton que acompanhou de perto seus últimos dias de vida. "Não havia mais nada a fazer, depois de um exame profundo feito na terça feira, quando constatamos que o carvalho estava definitivamente morto", acrescentou o jardineiro do castelo. Alto de 30 metros, plantado no coração do bosque, nas imediações do Trianon, onde Maria Antonieta costumava descansar , o carvalho morreu como viveu nesses últimos três séculos, levando consigo todos os segredos, mesmo os mais íntimos, o que só uma árvore, por natureza muito discreta, sabe fazê-lo. Mesmo protegida por outros carvalhos plantados a seu lado , mais jovens e vigorosos, o de Maria Antonieta já havia sofrido muito com a tempestade do natal de 1999, mas conseguiu resistir, apesar de ter se tornado mais frágil, perdido parte de seusgalhos e de sua folhagem . O tom amarelo de suas folhas passou a prevalecer em contraste com as folhas verdes de suas vizinhas mais novas, nascidas a partir de mudas de seus próprios galhos.. Essa árvore, já quase centenária, foi poupada por Luís XVI , por ser a preferida de Maria Antonieta, pouco antes da criação do parque pelo arquiteto e paisagista Le Nôtre, entre os anos de 1774 e 1776, após o rei ter decidido destruir todas as plantações existentes e criar um novo jardim no "chateau". Segundo Alain Baraton, por enquanto, seus restos mortais vão ser preservados no local, prevendo-se , entretanto, um perímetro de segurança. Se essa solução se revelar perigosa para os visitantes, nesse caso a arvore será abatida, mantendo -se apenas sua base, uma grande circunferência de 5,5 metros , o que atesta sua longa vida de 322 anos.

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