O caso Eric Garner não é argumento contra câmeras

ANÁLISE: Max Ehrenfreund / THE WASHINGTON POST

O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2014 | 02h00

Se a finalidade do pedido do presidente Barack Obama de US$ 75 milhões para ajudar departamentos de polícia a comprar câmeras para os policias usarem no corpo é facilitar a acusação de agentes que usem força excessiva contra civis, a decisão do júri de instrução de não indiciar um policial pela morte de Eric Garner sugere que a proposta pode não atingir o objetivo.

Um vídeo gravado em Staten Island em julho mostra o policial Daniel Pantaleo aplicando uma aparente gravata em Garner. Pantaleo disse ao júri que não pretendia machucá-lo.

Desde que um júri inocentou os policiais que surraram Rodney King em 1991 apesar da filmagem da agressão, ficou claro que mesmo evidências de vídeo não são necessariamente provas em processos criminais contra policiais. Segundo a Suprema Corte, elas nem sempre mostram o que os policiais estavam pensando e sentindo. A corte decidiu que os júris devem respeitar os julgamentos dos policiais sobre quando é necessário o uso da força para a proteção de si mesmos e do público. Câmeras corporais não mudariam isso.

Se o objetivo não for simplesmente processar policiais, mas ajudá-los a melhorar seu trabalho e suas relações com civis, então as câmeras poderiam ajudar. As evidências preliminares são promissoras, embora incompletas. Um estudo em Rialto, Califórnia, revelou que policiais que não usavam câmeras eram duas vezes mais propensos a usar a força do que os que usavam. Resultados iniciais de outro estudo em Mesa, Arizona, sugerem que 65% menos queixas foram feitas contra policiais que portavam câmeras.

Ainda persistem questões reais sobre como as câmeras poderão ser usadas e o que fazer com todos os dados que elas produzem. O aparelho não removerá as décadas de desconfiança entre a polícia e as pessoas que ela jurou proteger. Além disso, as câmeras são financeiramente inacessíveis para muitos departamentos de polícia.

No entanto, US$ 75 milhões é uma bagatela no orçamento federal. Se os chefes de polícia estão interessados em comprar câmeras, seria o mínimo que o Congresso poderia fazer para contribuir. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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