O círculo vicioso da violência no Cáucaso

O círculo vicioso da violência no Cáucaso

Análise:

Oliver Bullough, O Estado de S.Paulo

31 de março de 2010 | 00h00

Há cinco anos, a notícia de que duas suicidas explodiram vagões do metrô em Moscou, matando 39 inocentes passageiros, talvez nos deixasse paralisados, mais que chocados. Hoje, estamos mais acostumados a esse tipo de coisa. Meia década se passou sem que ocorressem outras atrocidades e, certamente, todos começavam a esperar que os dias destes brutais atentados tivessem acabado.

A tragédia da guerra chechena e da selvageria de ambas as partes, que transformou a Chechênia num buraco onde ocorreram as piores brutalidades, está em ter causado inúmeras vítimas traumatizadas. Do lado russo, são os soldados mandados para casa com lembranças repletas de mortes. Do lado checheno, são os jovens aterrorizados pela tortura, e as jovens, frequentemente violentadas.

A realidade da guerra chechena não é compreendida na Rússia, onde as pessoas quiseram tanto e por tanto tempo que ela acabasse. Em 1991, quando o líder pós-comunista da Chechênia decidiu declarar a independência, a guerra não precisaria se tornar um confronto selvagem. Os outros conflitos pós-soviéticos no Cáucaso foram travados entre exércitos de homens armados. Somente na Chechênia escolas, teatros e trens de subúrbios foram os alvos da destruição.

Todos os incidentes provocaram uma reação; e toda reação provocou um incidente, até que todos os laços de humanidade se dissolveram. O primeiro sinal de que isso estava acontecendo data de 1995, quando Shamil Basayev e seus homens tomaram um hospital para exigir o fim da guerra. Com a morte de Basayev, parecia que os chechenos haviam repudiado esta terrível filosofia autodestrutiva. Mas eles não a repudiaram. Resta a esperança de que a resposta russa contribua para acabar com este círculo vicioso de violência. Se eles revidarem mais uma vez, a violência nunca mais acabará.

EDITOR PARA O CÁUCASO DO INSTITUTE FOR WAR AND PEACE, ESCREVE PARA "THE GUARDIAN"

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