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O clima no planeta depois de Trump

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris terá impactos no meio ambiente, economia e diplomacia

Helio Gurovitz, O Estado de S. Paulo

04 de junho de 2017 | 03h00

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris terá três impactos paralelos: 

1.Meio Ambiente. O primeiro (e mais óbvio) se dará no próprio clima. O acordo já era insuficiente para evitar o pior cenário. Pela estimativa da Climate Interactive, reduziria o aquecimento global previsto para 2100 de 4,2ºC para 3,3ºC, quando apenas um patamar inferior a 2ºC evitaria catástrofes. Depois de 2030, seria, portanto, necessário esforço maior para alcançar a meta. Até lá, 21% da redução nas emissões de gases caberiam aos americanos. Se eles daqui pra frente nada fizerem e os demais países cumprirem seus compromissos, uma simulação da CI estima que a temperatura subiria 3,6ºC até 2100, um ganho pífio. “Mas, como sabemos, Estados, cidades e empresas estão tomando medidas”, diz Ellie Johnston, da CI. É provável que os EUA não alcancem a meta, mas isso será mitigado por Estados como Nova York e Califórnia. “Eles acelerarão a transição para a energia limpa, por ver nela o futuro econômico”, diz o consultor Tasso Azevedo.

2.Economia. As energias solar e eólica ainda respondem por 6,8% da eletricidade americana, mas já geram 350 mil empregos – ante 73 mil da indústria do carvão, uma queda de 45% desde 2012. Mesmo favorecido por Trump, o carvão continuará a perder espaço para gás natural e energias alternativas. Ao desestimular a inovação energética, o governo Trump abandona a liderança mundial e deixa nas mãos de chineses e europeus um mercado estimado em até US$ 8 trilhões nos próximos 25 anos.

3.Diplomacia. China e União Europeia anunciaram uma cooperação inédita para acelerar a implementação das metas de Paris. Com a saída americana da Parceria Transpacífico e o desdém demonstrado por Trump na reunião da Otan, a China explorará fissuras na aliança ocidental para exercer sua hegemonia em escala global. A decisão de Trump equivale ao dedo médio estendido em riste ao planeta, para agradar “os eleitores de Pittsburgh”. Quem agora, em Paris, Londres, Berlim, Moscou, ou mesmo Brasília, confiará nos americanos para tratados sobre terrorismo, saúde ou livre-comércio? Trump pode não gostar de “globalismo”, mas o mundo de que os Estados Unidos fazem parte não deixa ser global por causa dele.

O sentido oculto de “covfefe”

Num tuíte da madrugada de quarta-feira, em vez de “coverage” (cobertura), Trump digitou “covfefe” e deixou as redes sociais perplexas sobre o sentido da palavra. Seus mais fiéis partidários desencavaram uma expressão em árabe parecida, que significa “eu vou resistir”. Disseram que ele fez uma referência elíptica ao atentado terrorista de Cabul. Para eles, Trump é incapaz de errar até digitação.

Por que as pesquisas americanas erraram

A Associação Americana de Pesquisa de Opinião Pública (Aapor) apontou em relatório três motivos para os erros dos institutos nas últimas eleições: mais de 13% dos eleitores dos Estados críticos decidiram o voto na última hora; institutos não fizeram o ajuste correto pelo nível de instrução dos entrevistados; e muitos eleitores de Trump do Meio-Oeste evitaram dizer que votariam nele.

Facebook próprio para menores

O Facebook testa um sistema de mensagens para crianças que dá aos pais o controle sobre os contatos e conteúdos acessados pelos filhos, noticiou o site The Information.

Hezbollah contra ‘Mulher Maravilha’

Por pressão do grupo xiita Hezbollah, o filme Mulher Maravilha, estrelado por Gal Gadot, foi proibido no Líbano. Motivo? Gal serviu no Exército de Israel, país oficialmente em guerra com os libaneses. “Não distinguimos entre um israelense bom e um mau”, diz Rania Masri, integrante da campanha contra o filme.

A sexualidade sutil do hipopótamo

Depois dos transgêneros, parece que vêm aí os “transanimais”, “transespécies” ou “xenogêneros”. Em novo artigo, o francês Florentin Félix Morin, do Laboratório de Estudos de Gênero e Sexualidade, descreve como sua “identidade de hipopótamo permitiu-lhe escapar das categorias que governam o corpo humano (gênero, sexualidade, idade)”. Ele também propõe uma “estética da porosidade” para seu “hipo-self”. Pois é.

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