O controvertido candidato dos eleitores indignados

Chacoalhado nos últimos anos pelo Tea Party, facção da direita radical, o Partido Republicano assiste ao nascimento de um novo fenômeno extremista em torno de Ron Paul. Um dos pré-candidatos à corrida pela Casa Branca, o deputado pelo Texas apresenta-se como uma espécie de "inimigo do Estado" e poderá surgir como opção independente para os eleitores americanos em novembro, se não for o escolhido de seu partido.

DENISE CHRISPIM MARIN , CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2012 | 03h01

As ideias de Paul, muitas delas confiscadas pelo Tea Party, têm sido acolhidas nos últimos meses por eleitores revoltados com a atuação da Casa Branca e do Congresso desde a crise de 2008. Ao contrário da ruidosa maioria do Tea Party, disposta a apoiar o pré-candidato com maior chance de derrotar o presidente Barack Obama, os simpatizantes de Paul comportam-se como abandeirados indispostos a transferir seus votos para outro republicano.

Paul atrai a maior fatia dos eleitores indignados. Em Iowa, no dia 3, ele obteve 40% dos votos de jovens e o recorde de 44% de independentes. Em New Hampshire, onde 39% do eleitorado é independente, Paul ficou em segundo lugar, com 22,9% dos votos. As propostas de Paul para o enxugamento do Estado, de fato, são raras e vão além das de seus concorrentes no partido.

Ele defende o retorno do padrão-ouro para a definição do valor das moedas nacionais e a eliminação do Fed (o Banco Central dos EUA), do Internal Revenue Service (a Receita Federal) e da Previdência Social, além de vários Departamentos (Ministérios), como o da Educação.

Nas áreas de política externa e de segurança nacional, suas ideias para "restaurar a América" causam ainda mais espanto. Paul afirma abertamente terem sido os EUA os responsáveis pelos atentados do 11 de Setembro, porque mantiveram uma política intervencionista no Oriente Médio.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.