O dilema dos EUA e do Paquistão

O crescente apoio internacional à Aliança do Norte, que combate a milícia governista Taleban no Afeganistão, está incomodando o vizinho Paquistão, um inimigo de longa data da coalizão oposicionista - cujo respaldo a qualquer ação militar dos Estados Unidos contra o Taleban é considerado crucial. A posição do Paquistão pode representar um dilema para Washington, que se arrisca a afastar o Paquistão se usar a oposição afegã em uma campanha anti-Taleban. Apesar disso, altos funcionários dos EUA e do Paquistão chegaram a um amplo acordo esta semana sobre cooperação mútua para erradicar supostas redes terroristas no Afeganistão, onde o Taleban abriga Osama bin Laden, o principal suspeito dos ataques terroristas de 11 de setembro contra os Estados Unidos. O Paquistão, não querendo ser rotulado de pária, praticamente suspendeu relações com o Taleban nos últimos dias, apesar de os afegãos ainda manterem sua embaixada em Islamabad. Mas apesar de ter prometido abrir seu espaço aéreo, compartilhar informações de inteligência e dar apoio logístico a uma ofensiva contra o Taleban, o Paquistão não concorda com nenhum plano para colocar a Aliança do Norte no poder. O crescente apoio à aliança por parte de Índia, Irã e Rússia - cada um dos quais têm políticas contrárias à do Paquistão com relação ao Afeganistão - também está fazendo acender luzes de alerta no país. Os Estados Unidos alegam que a oposição pode ser útil num ataque ao Afeganistão porque conhece profundamente o terreno montanhoso do país e o posicionamento das forças do Taleban. Depois dos ataques de 11 de setembro, autoridades de Rússia, Irã, Índia, Tadjiquistão e Uzbequistão reuniram-se em Dushanbe, capital tadjique, para buscarem formas de fortalecer a Aliança do Norte. O ministro do Exterior do Paquistão, Abdul Sattar, considerou esta semana que tais tentativas de potências estrangeiras eram "uma receita para grande sofrimento do povo do Afeganistão". "Tentar instalar um governo anti-Paquistão em Cabul com o apoio da Aliança do Norte será um grande erro. Posso apenas dizer ´não faça isso´. Os militares paquistaneses não aceitarão isto", advertiu. O Paquistão era o maior patrono do Taleban até os atentados terroristas nos EUA. Ao apoiar a milícia fundamentalista islâmica, ele conseguiu uma certa estabilidade em sua fronteira nortista, onde muitos habitantes compartilham a mesma herança étnica pashtun com o Taleban. O Paquistão também esperava que o Taleban oferecesse "respaldo estratégico" no caso de um conflito armado com a rival potência nuclear Índia - além de ter a intenção de usar o Afeganistão como uma rota comercial para a Ásia Central. Mas o apoio do Paquistão ao Taleban fez com que suas relações com Washington se tornassem tensas nos últimos anos - e transformou Islamabad num odiado inimigo dos diferentes grupos de senhores da guerra e minorias étnicas que formam a Aliança do Norte.

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