O discurso que Nixon nunca leu

Carta deveria ser lida caso missão à Lua falhasse

O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2013 | 02h01

Em 20 de julho de 1969, os astronautas americanos Neil Armstrong e Buzz Aldrin se tornavam os primeiros homens a pisar na Lua. Armstrong era comandante na missão Apolo 11 e foi ouvido e visto por 500 milhões de pessoas dizendo a frase que se tornou famosa: "Um pequeno passo para um homem, mas um grande salto para a humanidade".

A saída do módulo e a caminhada pela superfície lunar foram transmitidas ao vivo por TV e rádio. E, ao retornar da Lua, Armstrong anunciou que não pretendia voltar ao espaço. A caminhada lunar foi o grande trunfo dos americanos na corrida espacial entre EUA e União Soviética durante a Guerra Fria.

Os soviéticos haviam saído na frente ao colocar o satélite Sputnik em órbita, em 1957. Então, os americanos queriam um feito maior. Em 1961, o presidente John F. Kennedy deu início ao sonho de mandar um homem à Lua. "Acredito que o país deve se comprometer a colocar um homem na Lua e trazê-lo em segurança de volta à Terra antes que a década acabe."

O programa Apolo 11 surgiu como a grande chance. No entanto, sabendo que o desfecho poderia ser outro e os astronautas poderiam não voltar, William Safire, o jornalista que escrevia os discursos do então presidente Richard Nixon, deixou pronto um comunicado para o caso de a missão espacial fracassar.

O memorando, datado de 18 de julho de 1969, deveria ser entregue ao secretário de Estado, Harry Robbins Haldeman, e lido por Nixon. O documento, divulgado na página do Arquivo Nacional dos EUA, começa dizendo que o "destino determinou que os homens que foram à Lua para explorar em paz, permaneçam na Lua para descansar em paz."

Usando as palavras "esperança" e "descoberta", o discurso deveria enaltecer as pesquisas de Armstrong e Aldrin e incentivar a continuidade da corrida espacial. "Esses dois homens estão descansando sobre o mais nobre objetivo da humanidade: a busca pela verdade e pelo conhecimento."

As palavras também deveriam prestar solidariedade aos parentes dos astronautas e despertar a união da população. Por isso, os dois eram citados como heróis.

Heróis. "Em sua exploração, eles fizeram as pessoas do mundo se sentirem como uma. Em seu sacrifício, eles tornaram mais forte a fraternidade entre os homens. Antigamente, os homens olhavam para as estrelas e viam seus heróis nas constelações. Atualmente, fazemos o mesmo, mas nossos heróis são homens épicos de carne e sangue."

Além do discurso que Nixon deveria ler, o memorando deixava a instrução para que o pronunciamento fosse seguido por uma oração. Como está descrito no site do Arquivo Nacional, "o documento, felizmente, nunca precisou ser utilizado."

Armstrong morreu no ano passado, aos 82 anos, em decorrência de complicações de uma cirurgia cardiovascular. O presidente dos EUA, Barack Obama, na ocasião, lamentou a "morte de um herói americano". Aldrin continua vivo. / REUTERS

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