O efeito da crise síria no Irã e na vizinhança

Cenário: Peter Apps / Reuters

O Estado de S.Paulo

10 de dezembro de 2011 | 03h02

A revolta que eclodiu este ano na Síria - grande amiga árabe do Irã - criou um novo campo de batalha na região. Desde os primeiros dias de protestos do movimento de oposição, as autoridades americanas afirmaram repetida e enfaticamente que o governo de Bashar Assad recebia apoio de Teerã. Desde então, Assad foi rapidamente abandonado pela Liga Árabe, numa decisão liderada pela Arábia Saudita e outros Estados árabes sunitas do Golfo. Analistas e autoridades dizem que tal decisão teria por objetivo pressionar o Irã, além de pôr um freio nos assassinatos e abusos dos direitos na própria Síria.

O apoio dos sauditas e outros países árabes a uma oposição cada vez mais armada deve piorar ainda mais a situação na Síria, resultando numa guerra civil sectária que pode durar anos e ultrapassar as fronteiras e envolver Estados vizinhos. No Iraque, a retirada das forças americanas no fim do ano deixa mais espaço para Irã e vizinhos árabes sunitas intervirem por meio de milícias, lutando por representação. E, no pior dos casos, isso poderá reacender as disputas entre sunitas e xiitas que quase destroçaram o país durante a ocupação dos EUA. "Uma guerra de representação entre sauditas e iranianos no Iraque significa uma ameaça bastante importante para o fornecimento de petróleo", disse Alastair Newton, analista político do banco japonês Nomura.

Parte do atrito crescente com seus vizinhos pode ser sintoma de uma luta de poder interna no Irã, é o que pensa Newton. "Acho que uma razão pela qual vemos a situação se agravar entre Irã e outros países é porque as coisas estão se piorando dentro do próprio Irã". Fatos recentes, como a invasão da Embaixada da Grã-Bretanha em Teerã, em que o Irã se mostrou disposto a rasgar os regulamentos internacionais, pode ser sinal de uma influência crescente dos clérigos radicais e dos comandantes da Guarda Revolucionária. "O poder do Ocidente e dos EUA na região vem enfraquecendo e isso deixou um vácuo - especialmente no Iraque. Podemos ver os principais interessados na região reagindo à rapidez do Irã tentando preencher esse vazio", diz Reva Bhalla, analista chefe da empresa privada de inteligência Stratfor, dos EUA. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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