'O Egito está livre', comemoram opositores após queda de Mubarak

ElBaradei diz que é 'o melhor dia' de sua vida; Wael Ghonim chama os egípcios de 'heróis'

estadão.com.br

11 de fevereiro de 2011 | 14h44

Atualizado às 16h38

 

 

CAIRO - "Esse é o melhor dia da minha vida. O país está livre depois de décadas de repressão", disse o opositor egípcio Mohamed ElBaradei momentos após o vice-presidente do Egito anunciar que o ditador Hosni Mubarak, há 30 anos na presidência, havia entregado os poderes às Forças Armadas.

 

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ElBaradei, Nobel da Paz e ex-chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), voltou ao Egito dois dias depois de os protestos contra Mubarak começaram, no dia 25 de janeiro. Por diversas vezes, durante os 18 dias de manifestações, ele exortou o ditador a renunciar.

 

O opositor não descartou liderar o país no período de transição e disse que poderia guiar o povo egípcio caso o fosse solicitado. Na entrevista posterior ao anúncio feito pelo vice Omar Suleiman na televisão, ElBaradei disse apenas que esperava uma "bela transição" de poder. “Precisamos reconstruir o intelecto e a cultura do Egito”, disse ElBaradei posteriormente, à Al-Jazira.

 

No Twitter, Wael Ghonim, ativista e executivo do Google que se tornou símbolo dos protestos, disse que "os verdadeiros heróis são os jovens egípcios na Praça Tahrir e no resto do Egito". Depois, na CNN, ele se disse "orgulhoso de ser egípcio". "A Hosni Mubarak, Omar Suleiman e todas pessoas que acreditam que estar no poder dá direito a ignorar o povo: Nós temos escolha. Basta para vocês".

 

A Irmandade Muçulmana, o principal e mais organizado bloco de oposição do país, celebrou o "triunfo pacífico do povo egípcio" e o "começo de uma nova etapa". "A queda do regime tirano de Mubarak supõe o passo principal para o começo de um novo e longo caminho", disse o porta-voz do grupo, que era considerado ilegal sob o governo do ditador.

 

O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, que é egípcio e também opositor de Mubarak, se manifestou sobre a queda do ditador. "Os egípcios estão buscando um futuro diferente, um futuro melhor".

 

Festa

 

A multidão que pedia a renúncia de Mubarak está em festa em todo o Egito. A Praça Tahrir, principal ponto de concentração dos manifestantes, está tomada por comemorações. Poucos minutos antes, o local era um mar de raiva e frustração, pois o presidente não havia renunciado na quinta-feira, quando todos esperavam.

 

Após 30 anos, chega ao fim a ditadura de Mubarak no Egito. O Conselho das Forças Armadas está no poder, segundo o anúncio de Suleiman. Há relatos de que o presidente deixou o Cairo e foi para o balneário de Sharm el-Sheik, no Mar Vermelho. "O Egito está livre", grita a população.

 

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