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O Estreito de Ormuz e sua importância na crise entre EUA e Irã

Em momentos de crise, Irã sempre ameaça fechar o Estreito, por onde passam pelo menos 20% do fornecimento mundial de petróleo

Paulo Beraldo com informações da AFP, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2020 | 12h04

Sempre que eclode uma crise envolvendo o Irã, paira no ar a ameaça do fechamento do Estreito de Ormuz. Em junho de 2019, quando petroleiros sauditas foram atingidos por mísseis iranianos e um drone americano foi derrubado, o Irã ameaçou fechar o Estreito de Ormuz, uma via chave para o petróleo.

Quando os líderes do Irã prometeram vingar o assassinato pelos Estados Unidos do general Qassim Suleimani, comandante da Força Quds da Guarda Revolucionária iraniana, uma das opções era bloquear o Estreito.

O que é o Estreito de Ormuz?

O Estreito de Ormuz é a principal passagem de escoamento do petróleo do mundo. Por essa estreita faixa de água passaram 21 milhões barris de petróleo por dia no ano passado. A quantidade representa um em cada cinco barris consumidos no planeta. Os dados são da Agência de Informações sobre Energia dos Estados Unidos (DOE, na sigla em inglês). 

O Estreito de Ormuz dá passagem a navios petroleiros vindos do Iraque, da Arábia Saudita, do Irã, do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos, de Omã, do Kwait e do Bahrain - todos importantes no comércio global de petróleo. "Ele dá acesso ao Oceano Índico e, posteriormente, a todas as grandes rotas de navegação do mundo", explica o professor de relações da ESPM Roberto Uebel, que fez especialização em geopolítica energética. "É uma região muito pequena com uma grande tensão, além da proximidade com centros financeiros e comerciais importantes como Abu Dhabi e Dubai". 

Com menos de 40 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito, um bloqueio da passagem poderia causar problemas graves para a economia mundial. Mas essa não é uma preocupação recente: vem desde a Guerra Irã-Iraque (1980-1988), depois com a Guerra do Golfo (1990-1991) e em momentos de tensão. "Impactaria o fornecimento de petróleo para todo o sistema internacional porque ele conecta importantes fornecedores com os grandes mercados consumidores. E ainda hoje o petróleo é a principal forma de combustível", diz Uebel. 

Por se tratar de águas internacionais, explica o professor, a soberania do Estreito é contestada. "Tanto países banhados pelo Estreito, como Irã, Iraque, Arábia, Kuwait, Emirados Árabes e Omã, teriam o controle. E, para agregar mais tensão, há a presença das forças estrangeiras de patrulhamento, como a Marinha dos Estados Unidos e a do Reino Unido", afirma Uebel. 

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Uma das ameaças do Irã foi fechar o Estreito, mas, legalmente, o país não fazê-lo unilateralmente, já que parte da passagem está nas águas territoriais de Omã. No entanto, os navios passam pelas águas iranianas, que estão sob a responsabilidade da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica.

Teerã poderia usar mísseis, drones, minas e lanchas para enfrentar os EUA e seus aliados no estreito, por onde passa um quinto da produção mundial de petróleo. Qualquer interrupção pode elevar os preços do petróleo acentuadamente.

Por questões de segurança em meio ao conflito Irã-EUA, a Petrobrás interrompeu na quarta-feira, 9, a operação dos seus petroleiros na rota que passa pelo Estreito de Ormuz. Segundo a estatal, a mudança não vai afetar o abastecimento de combustíveis no mercado brasileiro

Crise dos Petroleiros

O Estreito foi afetado ano passado por ataques contra petroleiros, atribuídos ao Irã tanto pelos Estados Unidos quanto por seus aliados. Teerã negou envolvimento nos episódios. Ainda em 2019, a região do Golfo foi afetada por uma instabilidade que ameaçou o fluxo do petróleo. Seis petroleiros foram atacados entre maio e julho em meio à escalada de tensão entre o Irã e os EUA. 

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