REUTERS/Thomas Mukoya
REUTERS/Thomas Mukoya

O estrelato da primeira-dama chinesa 

Peng Liyuan auxilia Xi em ‘ofensiva de charme’; ela é ativista internacional em favor da educação de mulheres e do combate ao HIV e à tuberculose

Cláudia Trevisan / Correspondente - Washington, O Estado de S. Paulo

06 Abril 2017 | 05h00

Xi Jinping chega aos EUA hoje ao lado da mais popular primeira-dama da história recente da China – situação que, nos últimos cinco anos, era normalmente reservada a mulheres de líderes ocidentais. Uma das mais célebres cantoras de ópera de seu país, Peng Liyuan é uma ativista internacional em favor da educação de mulheres e do combate ao HIV e à tuberculose.

Enquanto seu marido estiver reunido com o anfitrião Donald Trump, ela se encontrará com a primeira-dama Melania Trump, uma das mais reclusas mulheres de presidentes americanos da era moderna. Como em muitos aspectos da relação entre os EUA e a China, a dinâmica das primeiras-damas pode ser vista como mais um exemplo da disputa por influência global entre os dois países. 

No momento em que o governo dos EUA abraça o lema “América em primeiro lugar”, rejeita a globalização, dá as costas aos esforços mundiais de combate à mudança climática e anuncia o corte nos recursos destinados à ajuda internacional, o chinês Xi se candidata ao papel de defensor da ordem multilateral.

No mesmo dia em que Trump determinou a reversão de regulações da era Barack Obama que reduzem a emissão de gases poluentes, Xi plantou árvores em Pequim e reiterou o compromisso do país com as metas previstas no Acordo de Paris para conter o aquecimento global.

Peng é a parceira ideal nessa ofensiva internacional de charme. Em 2013, no início da gestão de seu marido, ela foi eleita uma das 100 pessoas mais influentes do mundo pela revista Time. Antes que ele chegasse ao cargo máximo na hierarquia do Partido Comunista da China, Peng era mais famosa que Xi. 

Agora, ela personifica a imagem de ator global responsável que Pequim tenta projetar: faz discursos em inglês em favor da educação de mulheres, visita órfãos em países pobres e atua em causas sociais. Alinhada com o nacionalismo do marido, ela ostenta em suas viagens roupas desenhadas por estilistas chineses.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.