O eterno sobrevivente, agora sem vidas

ANÁLISE: Joji Sakurai / AP

O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2013 | 02h10

Ele é o grande Houdini da política mundial. Assediado por escândalos, condenado por corrupção, abandonado por aliados, o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi já foi considerado carta fora do baralho incontáveis vezes nas duas décadas em que dominou a política italiana. Em todas as oportunidades, escapou milagrosamente da morte política.

Nem histórias de festas tórridas "bunga-bunga", nem acusações de pôr a pique a economia italiana, nem julgamentos por sexo e corrupção, nem as cantorias de "bufão" que o escorraçaram do cargo dois anos atrás foram suficientes para remover Berlusconi da política. Nem sequer para colocar uma ruga sobre seu bronzeado permanente.

Quando ele foi obrigado a renunciar ao cargo de primeiro-ministro, em fins de 2011, a mídia mundial, incluindo a Associated Press - escreveu o obituário político de Berlusconi. Um ano depois, ele comandava seu partido para um forte resultado eleitoral que o recolocou no coração da política italiana.

Nesta semana, porém, pode ter chegado realmente a hora de dizer "bye-bye Berlusconi". Na quarta-feira, o bilionário magnata sofreu um revés devastador em sua campanha para derrubar o governo, depois que deputados de seu partido se amotinaram. E é esperado que os parlamentares destituam Berlusconi de sua cadeira no Senado - banindo-o da política.

No fim das contas, sempre os maiores inimigos de Berlusconi acabaram sendo seus melhores amigos. Ao longo de toda sua carreira, ele foi repetidamente derrubado por aliados que o traíram em momentos críticos. E, na quarta-feira, não foi diferente: deputados de peso da bancada de Berlusconi desobedeceram sua ordem para derrubar o governo de Enrico Letta com um voto de desconfiança. Com isso, abriram o caminho para uma votação para definitivamente privar o ex-primeiro-ministro de sua cadeira no Senado. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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