O fim das minas terrestres

Chegou a hora de os EUA, que têm as forças militares mais poderosas, proibirem uma arma que não usam há 20 anos

Desmond Tutu & Jody Williams, Mcclatchy Newspapers,

10 de dezembro de 2010 | 00h35

Quinze irmãos e irmãs laureados com o Prêmio Nobel da Paz - entre os quais eu me inclui, ao lado da líder pró-democracia de Mianmar, Aung San Suu Kyi - escreveram ao também laureado presidente Barack Obama, para pedir que leve os EUA a aderir ao Tratado de Proibição das Minas Terrestres, de 1997. Muitos dos laureados há muito manifestam sua preocupação com o impacto humano das minas terrestres e se dedicam à sua proibição.

Na semana passada, mais de cem governos e várias organizações da sociedade civil e agências da ONU reuniram-se em Genebra para, como ocorre a cada dez anos, fazer uma avaliação dos sucessos do tratado e das dificuldades que restam para a eliminação desse tipo de armamento.

A adoção universal do tratado é uma dessas dificuldades. Apesar de 156 países terem firmado o tratado, os EUA ainda não deram o passo final para sua adesão. Dizemos "passo final" porque acompanhamos a situação e reconhecemos que o governo americano já o cumpre essencialmente, há quase duas décadas.

Aplaudimos o fato de que não há notícias de que os EUA tenham utilizado estas minas desde a Guerra do Golfo, de 1991. Foram o primeiro país do mundo a proibir unilateralmente as exportações da arma em 1992. Além disso, deixaram de produzi-las desde 1997, e já destruíram vários milhões das que estavam em seus arsenais. Há quase 20 anos, os EUA são os principais financiadores das operações globais de desarme de minas e de programas de assistência às vítimas.

Há quase um ano, o governo Obama anunciou o início de uma revisão da política americana sobre minas terrestres e deverá chegar em breve a uma conclusão. Esperamos que a revisão se paute pelos imperativos morais e humanitários que já fizeram com que 80% das nações de todo o mundo proibissem a arma, o que inclui quase todos os aliados militares dos EUA.

A adesão americana a este importante tratado de desarmamento internacional traria enormes benefícios aos EUA - e a todo o globo. Fortaleceria a segurança nacional desse país, a segurança internacional e as leis humanitárias internacionais. Contribuiria para fortalecer o objetivo fundamental de impedir que inúmeros civis se tornassem vítimas dessas armas de maneira indiscriminada no futuro e para assegurar assistência adequada às centenas de milhares de sobreviventes e a suas comunidades.

Tampouco duvidamos de que a adesão dos EUA ao tratado encorajaria os outros 38 países que estão fora do pacto a agir. Insistimos energicamente para que o presidente Obama - com o apoio de seu governo e das Forças Armadas sob o seu comando - decida aderir ao Tratado de Proibição das Minas e o apresente ao Senado para sua confirmação, no início do próximo ano. Chegou o momento de os Estados Unidos, detentores das forças militares mais fortes do mundo, proibirem uma arma que, na prática, deixaram de usar há quase 20 anos. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

SÃO GANHADORES DO PRÊMIO NOBEL DA PAZ

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