Reprodução/Twitter
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O fim do sonho de uma jovem nas águas do Mediterrâneo

Fatim Jawara, uma jovem de 19 anos que chegou a jogar pelas seleções de base de Gâmbia, morreu afogada enquanto tentava chegar à Itália para 'seguir seu destino' e jogar por um grande clube europeu

O Estado de S. Paulo

04 de novembro de 2016 | 14h41

Uma adolescente que jogou pela seleção de base de Gâmbia, mas morreu afogada junto com outros imigrantes enquanto tentava cruzar o Mediterrâneo para chegar a Itália disse para a família, antes da viagem, que "desejava seguir seu destino" e jogar por um grande clube europeu "independente de qual fosse o risco (para isso acontecer)".

Fatim Jawara, de 19 anos, estava a bordo de uma embarcação que naufragou na semana passada depois de ser atingida por uma forte tempestade na travessia entre a Líbia e a Itália. Em uma das últimas mensagens que trocou com sua família, Fatim rejeitou os apelos para voltar para casa, segundo relato de amigos.

"Eles falavam com ela no meio do deserto muitas vezes enquanto ela viajava. Eles imploravam para que ela abandonasse essa jornada, mas ela querida seguir em frente e seguir seu destino", disse ao jornal britânico The Guardian Sainey Sissoho, uma ex-colega de time. 

De acordo com a ONU, pelo menos 239 pessoas morreram em dois naufrágios recentes no mediterrâneo. Acredita-se que Fatim, que tinha estreado na seleção de seu país um ano atrás em um amistoso contra um time de Glasgow, estava entre as vítimas de um desses barcos naufragados.

"Sua morte foi prematura, mas vamos lembrar dela por suas ótimas performances no campo", disse Chorro Mbenga, assistente do treinador na seleção sub-17 de Gâmbia, onde Fatim fez sucesso. "No momento estamos de luto por esta grande perda para nossa seleção nacional e para a nação", afirmou o presidente da Federação de Futebol de Gâmbia, Lamin Kaba Bajo, à agência France-Presse.

De acordo com as autoridades de Gâmbia, ela teria deixado sua família na cidade de Serrekunda em setembro para cruzar o Saara e seguir para a Líbia, de onde a maior parte dos imigrantes africanos iniciam sua jornada para a Europa. Ela teria ficado ao menos três semanas aguardando uma oportunidade em "acampamentos" administrados por traficantes de pessoas nas cidades de Tripoli, capital líbia, e Misrata, antes de embarcar com destino a Lampedusa. 

"Ela era quieta e muito determinada tanto dentro quanto fora de campo. Ela disse para a família que iria jogar futebol em outra cidade e desapareceu. Ela não nos contou nada", completa a ex-colega Sissoho.

Apesar de ter uma população de menos de 2 milhões de pessoa, os cidadãos da Gâmbia estão entre as cinco nacionalidades que mais tentam cruzar o Mediterrâneo partindo da Líbia com destino na Itália. Muitos fogem da pobreza ou vão em busca de melhores condições financeiras para ajudar suas famílias. Outros tentam escapar da repressão do presidente Yahya Jammeh, um oficial do Exército que chegou ao poder em 1994 com um Golpe de Estado. / COM WPOST

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