O flagelo do Zimbábue

Robert Mugabe é um flagelo. E também presidente do Zimbábue há 28 anos. Em março, pôs seu mandato em jogo e seu rival, Morgan Tsvangirai, o derrotou. E daí? Quando você se chama Robert Mugabe, não cede o trono. Ele urrou. Um segundo turno foi marcado para sexta-feira.O vitorioso nas eleições de março jogou a toalha, pois Mugabe implementou o terror no país: 86 membros do MDC assassinados, 200 mil pessoas deslocadas, 20 mil casas incendiadas. No sábado, Tsvangirai viu uma mulher cujas mãos, pernas e seios foram cortados. E ele disse: "Basta!"Mugabe governa pela crueldade, pelo arbitrário, pelas loucuras da sua mulher, a bela e estúpida Grace Mugabe. Em 28 anos de delírio, perseguiu de maneira infame os ricos colonos brancos da antiga Rodésia (hoje Zimbábue), que fizeram do país a pérola da África - que ele levou à ruína econômica. Hoje, um pãozinho no Zimbábue custa 400 milhões de dólares zimbabuanos; 1 quilo de carne, 2 bilhões. Não há mais farinha de milho no mercado. Os campos, tão verdes na época dos colonos britânicos, hoje são desertos. A Rodésia era bela no período colonial. É verdade que essa beleza era coberta de muitas sombras. Não era o apartheid no estilo da África do Sul - a separação entre negros e brancos, mas uma segregação perversa. Os "civilizados" eram, de preferência, homens e mulheres loiros de olhos azuis.Hoje, o país vacila entre a fome e a morte. Milhões de zimbabuanos refugiam-se na África do Sul. E desafiam a morte duplamente: em primeiro lugar, em Beitbridge, sobre o Rio Limpopo, onde estão dois pontos de passagem repletos de crocodilos.E depois, na África do Sul, onde os sul-africanos pobres, irritados com a chegada desses ainda mais pobres, os matam. Dezenas de zimbabuanos foram massacrados em Durban e Johanesburgo. O mundo, à exceção, é claro, da China e da Rússia, tenta obrigar Mugabe a aceitar o veredicto das urnas. Tempo perdido. O velho tirano não dá a mínima. Por que seus vizinhos, sobretudo a poderosa África do Sul, não o encostam na parede?O presidente sul-africano, Thabo Mbeki, não deseja ferir um homem que ele despreza, mas que foi seu amigo no tempo da luta contra os "colonizadores". *Gilles Lapouge é correspondente em Paris

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