O futuro 1º presidente do Sudão do Sul

Presidente da região autônoma do sul do Sudão

, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2011 | 00h00

O ex-líder do Movimento Popular pela Libertação do Sudão (MPLS), Salva Kiir Mayardit, deve se tornar o primeiro presidente do Estado que será criado no sul do Sudão. Presidente da região autônoma, o ex-comandante rebelde lidera o sul do país desde o acordo de paz firmado com o norte em 2005, encerrando duas décadas de guerra entre norte e o sul do Sudão, o conflito mais longo da África.

Desde então, sua prioridade foi garantir a realização do referendo de hoje - ponto principal do acordo de paz. Apesar de também ser vice-presidente de todos o Sudão, Kiir apoia a independência do sul. Ele assumiu a liderança do sul e a vice-presidência de todo o país após a morte do ex-líder rebelde John Garang em um acidente em 2005. No ano passado, foi reeleito com 93% dos votos para presidir a região autônoma e novamente nomeado pelo presidente Omar al-Bashir como vice-presidente.

Embora não domine a arte da oratória, Kiir sabe como lidar com multidões e conta com grande simpatia do público. Cristão, discursa regularmente na Igreja Católica em Juba, cidade que se tornará a capital do novo Estado. O ex-comandante entrou para o grupo rebelde pela libertação do sul do Sudão na década de 1960. Foi um dos fundadores do Movimento Popular pela Libertação do Sudão (MPLS) em 1983.

Kiir é muito popular entre os ex-militantes do Movimento, e muitas vitórias do grupo são atribuídas a ele. Uma tentativa de remover Kiir da liderança do Exército rebelde, em 2004, quase provocou a divisão do grupo. Ele pertence à etnia dinka, maioria do sul do país, e tem a difícil tarefa de garantir a paz entre os grupos étnicos rivais - fortemente armados. Alguns sudaneses, especialmente os da etnia nuer - a segunda mais numerosa no sul - desconfiam do domínio de Kiir. Os dois grupos já se enfrentaram no passado.

Em seu discurso de posse, no ano passado, Kiir prometeu igualdade e democracia no sul do Sudão. Homossexuais, porém, não serão aceitos no novo país, segundo ele. "Não faz parte do nosso caráter e se qualquer pessoa quiser importar isso para o Sudão, será sempre condenado por toda a sociedade", afirmou.

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