O futuro da Arábia Saudita depende do Bahrein

Abdessalam Najib, engenheiro da petrolífera líbia Agico e integrante do governo provisório de Benghazi, onde começou a revolta na Líbia, declarou que, além de controlar a cidade, os rebeldes assumiram também praticamente todos os campos petrolíferos a leste do importante terminal de Ras Lanuf.

Análise: Jackson Diehl, O Estado de S.Paulo

26 de fevereiro de 2011 | 00h00

O juiz Jammal bin Nour, também participante da coalizão rebelde, afirmou que os contratos com empresas petrolíferas estrangeiras serão cumpridos, desde que sejam "legais e benéficos ao povo líbio".

O Bank of America - Merrill Lynch declarou que a produção petrolífera da Líbia deverá parar totalmente e talvez por um longo período.

O petróleo do tipo Brent teve na sexta-feira alta superior a US$ 1 no mercado internacional, chegando a cerca de US$ 112 dólares por barril. Na quinta-feira, o valor chegou a quase US$ 120, mas caiu depois de a Arábia Saudita assegurar que compensaria eventuais interrupções na produção líbia.

Depois do início da revolta, a produção da Líbia caiu pelo menos pela metade. Antes, a extração chegava diariamente a 1,6 milhão de barris, de acordo com cálculos do Barclays Capital e do Goldman Sachs.

Responsáveis por um terço da extração na Líbia, as empresas privadas suspenderam sua atuação no território líbio. A maior operadora estrangeira do setor petrolífero na Líbia, a italiana ENI, diz que a extração teria caído em até 75% no país desde o dia 16.

Fontes consultadas pela agência Reuters afirmaram que a queda gradual nas exportações do setor também ocorre por causa da ausência do pessoal qualificado para o transporte do produto nos portos líbios - além da falta de segurança para o trabalho. O temor de sofrer ataques de rebeldes ou autoridades também faz com que muitos petroleiros optem por não atracar no país.

Muamar Kadafi voltou a dirigir-se à população ontem e falou sobre o tema: "Preparem-se para defender a Líbia. Preparem-se para defender o petróleo. Preparem-se para defender a dignidade", declarou na Praça Verde, em Trípoli, de acordo com imagens divulgadas pela televisão do país. Sua fala novamente criticou os Estados Unidos e os "estrangeiros".

"Se querem luta, a terão", disse o líder líbio que está no poder há 42 anos.

Em entrevista à CNN turca, o filho de Kadafi, Saif al-Islam assegurou que os planos para combater a insurreição não incluem a destruição de campos petrolíferos. "Nunca destruiremos as fontes de petróleo. Elas pertencem ao povo", afirmou o possível sucessor do líder líbio. Saif declarou ainda que sua família não tem nenhuma intenção de deixar a Líbia. Segundo o filho de Kadafi, o governo teria perdido o controle apenas na região do leste do país.

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