O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2015 | 02h02

Uma das questões frequentes na Argentina é se a presidente Cristina Kirchner, de 62 anos, voltará a disputar a Casa Rosada em 2019 - e quais cenários a favoreceriam ou não.

No caminho da reeleição de seu sucessor, a quem passará a faixa no dia 10, está um programa tão popular quanto controvertido criado por ela, o Fútbol para Todos. Em 2009, Cristina estatizou os direitos de transmissão do esporte nacional, até então nas mãos do Grupo Clarín. Com a Lei de Mídia, ela pretendia desmembrar a maior empresa de comunicação do país. Aprovada em 2009, considerada constitucional em 2013, a lei está em vigor mas não atingiu o objetivo central. O grupo se mantém coeso graças a liminares da Justiça.

Com o Fútbol para Todos, nenhum torcedor paga para assistir a um jogo especial, jogue seu time como visitante ou em casa. Todos os canais podem retransmitir partidas e gols. As críticas vêm do uso político pelo kirchnerismo, com propaganda de obras e anúncios estatais na transmissão da TV Pública.

Macri presidiu o clube com maior torcida do país, o Boca Juniors, entre 1995 e 2007. Ele anunciou esta semana que manterá o Fútbol para Todos, mas trocará a publicidade estatal pela privada para amenizar o prejuízo milionário.

"O programa é inviável economicamente. Em 2015, custou 1,4 bilhão de pesos (R$ 549 milhões) e a arrecadação com a marca de caminhões associada ao governo, a Iveco, foi de 21 milhões de pesos (R$ 8 milhões)", disse ao Estado Alejandro Casar, autor do livro Pasó de Todo (Aconteceu de Tudo, em tradução livre), sobre a implementação do programa.

Segundo ele, mesmo que Macri explore todo o potencial em anúncios privados, conseguirá 650 milhões de pesos (R$ 255 milhões), um terço do que custará em 2016. Num país com déficit fiscal de 7% do PIB, o novo governo terá de fazer ajustes. Mas quanto ao futebol, no máximo, cogita-se cobrar pelas transmissões em alta definição para amenizar o prejuízo.

Macri poderia simplesmente deixar o contrato vencer e revender os direitos, mas teria um problema com o calendário eleitoral. O Fútbol para Todos vale até agosto de 2019. Mexer nesse "direito adquirido" do torcedor/eleitor argentino não ajudaria em sua reeleição dois meses depois. / R.C.

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