O governo de Sarkozy na mira da fúria islâmica

No sul do Deserto do Saara, sobre uma superfície similar à da França, sete franceses erram sobre as pedras, enfrentando o sol e a areia, sob a guarda dos seus sequestradores - provavelmente da Al-Qaeda do Magreb Islâmico. Eles foram capturados na semana passada nas minas da empresa nuclear francesa Areva em Arlit, no Níger, e hoje correm risco de ser mortos. Até agora, Paris não recebeu nenhum pedido de resgate e não se sabe onde eles estão. A França deu a entender que não exclui uma ação militar no caso, mas suas reais intenções estão envolvidas no maior segredo - e essa prudência é compreensível.

Análise: Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2010 | 00h00

Os sete franceses estão nas mãos de homens cuja ferocidade não tem limites. Ao primeiro sinal de um ataque, os reféns serão degolados. Foi o que ocorreu recentemente: Michel Germaneau, membro de uma organização humanitária, foi capturado pela Al-Qaeda do Magreb Islâmico. A França, com soldados do Exército da Mauritânia, atacou, em 22 de julho, um campo de insurgentes ao norte do Mali. Sete combatentes da Al-Qaeda foram mortos e a rede terrorista prometeu, então, abrir "as portas do inferno" para a França.

Três dias depois, o pobre Germaneau foi assassinado. O assalto às minas francesas é uma consequência dessa cólera.

Por que a França está agora no centro da mira islâmica? Primeiro, há o engajamento militar francês no Afeganistão; depois, no dia 14, foi votada lei proibindo as mulheres de usar o véu integral islâmico em lugares públicos; e, por fim, a política pró-Israel atribuída ao presidente Nicolas Sarkozy. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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