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''O governo não tem provas contra mim''

Governador do Estado petrolífero de Zulia e candidato à prefeitura da capital do Estado, Zulia, o líder opositor venezuelano Manuel Rosales tem sido um dos alvos preferenciais de Hugo Chávez. Candidato derrotado por Chávez na disputa presidencial de 2006 e principal figura da oposição, Rosales é acusado pelo presidente de crimes que vão de enriquecimento ilícito a associação com o narcotráfico e conspiração golpista. Em entrevista ao Estado, ele deu sua versão.Chávez o acusa de uma série de crimes e promete colocá-lo na cadeia...Há uma campanha de Chávez para desqualificar a todos que pensamos diferente. Ela tem por base provas falsas, mentiras que, na visão dele, lhe permitirão vencer no Estado de Zulia. A estratégia não funcionará. Mas precisamos abrir os olhos, pois Chávez já disse publicamente que tem interesse que eu desapareça do mapa. Há alguns dias foram colocados tanques em alguns pontos da cidade. Zulia é o Estado com mais eleitores do país e aqui os chavistas não têm espaço. O que o sr. fará se sua prisão for de fato decretada?Por enquanto, não há nenhuma prova que possa servir de base para uma ação contra mim.Como o sr. responde às acusações do governo de enriquecimento ilícito?O governo diz que eu tenho umas 25 fazendas. Tenho uma só, de 318 hectares, há muito tempo. O governo central já a inspecionou várias vezes. Acontece que o governo estadual comprou terras para repartir entre camponeses. Eles (os chavistas) agem de forma diferente: assaltam a terra e violam a propriedade privada. É daí que vêm essas denúncias, mas não passam de calúnia. O candidato chavista ao governo de Zulia, (Gian Carlo) Di Martino, é quem deveria responder por umas 35 denúncias de corrupção e isso está tudo parado. O que espera das eleições regionais de domingo?Vamos avançar. Nos Estados onde não ganharmos, vamos ter uma votação altíssima. Mas na Venezuela fazer política ainda não é fácil porque o Poder Judiciário, o Ministério Público, a promotoria e a Assembléia Nacional estão nas mãos do governo. E todos os poderes atuam em favor dos candidatos do governo, sem nenhuma regulamentação.Qual a parcela de culpa da oposição no caminho que levou à situação em que Chávez controla todos os poderes? Chávez chegou ao poder em um momento crítico, em que as instituições estavam fracas, a classe política deteriorada e o preço do barril de petróleo perto de US$ 10. Isso abriu caminho para o surgimento da proposta de Chávez, que a primeira vista parecia boa, com idéias novas, mas que acabou pior do que as anteriores. Hoje, Chávez é um presidente que não ouve ninguém. A oposição obviamente cometeu alguns erros, como o do "Carmonazo" (tentativa de golpe contra Chávez em 2002) ou o da greve petroleira, que nos custou o emprego de milhares de profissionais. Com a nossa candidatura presidencial (em 2006), porém, começamos a construir uma alternativa democrática e a convencer os diversos grupos e partidos que o caminho (para o poder) tem de ser o das eleições. Tivemos quase 40% dos votos e mais tarde ainda vencemos o referendo sobre a reforma constitucional. O sr. teve dois mandatos de governador. Por que quer voltar a ser prefeito?Nessas eleições, o que está em jogo é o nosso crescimento como alternativa política. Precisamos competir para conquistar espaço. A prefeitura de Maracaibo tem mais eleitores que 17 Estados venezuelanos.A oposição estaria em condições hoje de apresentar um candidato para disputar a presidência com Chávez?Para isso falta bastante. Estamos apenas nas eleições regionais. No ano que vem elegeremos os vereadores, em 2010 os parlamentares da Assembléia Nacional e, só em 2012, o presidente. É preciso ver se nesse ínterim a Constituição será modificada para permitir a Chávez reeleger-se indefinidamente. Temos muita gente formada, preparada para disputar a presidência. Como o governo local vê e trata os planos da "revolução bolivariana"? Em Zulia foram ruins. Não há comparação com os nossos projetos em educação, saúde e outros serviços. Tenho propostas totalmente distintas de Chávez e estamos tendo êxito.E se Chávez não aceitar uma eventual vitória opositora no Estado? Poderia haver um cenário como o boliviano, de confronto entre a região e o governo central?As regras do jogo são dadas pelo governo e Chávez deve ser o primeiro avalista dos resultados. Ele deve respeitar a voz das ruas, assim como eu respeitei quando concorri à presidência e ele ganhou. Imagine o que poderia ter acontecido nessa ocasião se eu aparecesse na TV dizendo que houve fraude. E eu não enfrentei a um candidato e sim a um presidente com a estrutura do Estado a seu alcance.Quais seus planos para melhorar a segurança, que é um problema grave que você reparte com o governo central?Há muitos guerrilheiros seqüestrando na fronteira... A política de segurança não pode estar subscrita a um Estado ou um município. Não é um problema conjuntural, que diz respeito apenas à educação, à qualidade de vida e às oportunidades oferecidas às pessoas. Está muito relacionada à política de Estado - ao controle das fronteiras, ao sistema carcerário e à Justiça. Os prefeitos podem fazer um esforço para melhorar a questão, mas é preciso cooperação.

O Estadao de S.Paulo

20 de novembro de 2008 | 00h00

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