O interesse por trás do silêncio dos espectadores

A Líbia do coronel Kadafi estará mergulhando num banho de sangue, ou sairá de quatro décadas de uma tirania orquestrada por um indivíduo nefasto, hoje devorado pela loucura? Em Trípoli domina a inquietação. Mais a leste brilha a esperança. Seria presunçoso prever para que lado penderá este país maravilhoso - para o lado do horror ou o do sol. Como imaginar um futuro quando todas as fontes de informação estão mudas?

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

24 de fevereiro de 2011 | 00h00

Enquanto aguardamos notícias, voltamos nossa atenção para os espectadores. A Europa está flácida. Quando toma a palavras, às vezes, é para dizer que devemos ser "gentis uns com os outros". Sempre encontramos alguém "mais ignóbil do que nós". Os que se destacam são Berlusconi e Sarkozy.

Berlusconi é o campeão das atitudes ignóbeis. No sábado, ele se recusou a telefonar porque "não queria incomodar seu amigo Kadafi". Por sua vez, Sarkozy gosta de gestos espetaculares. Para agradecer Kadafi por ter libertado as enfermeiras búlgaras que o líbio mantinha em suas prisões, em 2008 este teve direito a uma visita megalomaníaca em Paris. Evidentemente, Sarkozy tinha um plano na cabeça: assinou contratos de 10 bilhões. Três anos mais tarde, os Rafales ainda não voam na Líbia. E então? Acaso vocês acham que o Brasil, talvez... / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

É CORRESPONDENTE EM PARIS

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