O Iraque exporta o terrorismo aos vizinhos, diz rei da Jordânia

O rei Abdullah II da Jordânia alertou que o Iraque está se transformando "em um campo de recrutamento para os extremistas que exportam o terrorismo a outros países da região", por isso pediu que se restabeleça "a estabilidade e a segurança" em Bagdá. Em entrevista à EFE por ocasião da visita dos reis da Espanha à cidade de Amã, capital da Jordânia, a partir da próxima segunda-feira, o rei Abdullah II também destacou que acha que o atual momento do processo de paz no Oriente Médio é "incrivelmente perigoso", após a vitória do Hamas nas eleições da Autoridade Nacional Palestina (ANP) e do Kadima no pleito de Israel. Em relação à situação no Iraque, Abdullah II disse que os efeitos da guerra estão sendo sentidos em toda a região, porque o país "se transformou em um campo de recrutamento para os extremistas que exportam o terrorismo" a outros Estados, como testemunhou Amã, em novembro passado, quando três terroristas mataram 60 pessoas em atentados suicidas em hotéis da capital jordaniana. "Por isso, a prioridade neste momento não é avaliar os prós e os contras da invasão, mas restabelecer a estabilidade e a segurança no Iraque e preservar sua unidade", afirmou. "Nossa principal preocupação é que os iraquianos possam se governar por conta própria em um país seguro e continuamos comprometidos com a recuperação do controle do país (pelos iraquianos) sem pôr em perigo sua segurança". O monarca disse que a Jordânia continuará prestando assistência ao Iraque "de todas as maneiras que puder". Nesta linha, destacou o fato de que as Forças Armadas jordanianas treinaram mais de 7 mil soldados, pelo menos dois terços dentro do Iraque, e mais de 32 mil policiais. Ao abordar o conflito do Oriente Médio e ao ser perguntado se considera o processo de paz em perigo, após a vitória do Hamas nas eleições palestinas, Abdullah II respondeu que neste momento há uma série de fatores, dentro e fora da região, que ameaçam diretamente o processo. "Um é a incapacidade de entender a realidade internacional; outro, o perigo de ações unilaterais, e no final, a decisão de castigar o povo palestino por sua escolha soberana e democrática nos pode dirigir a uma crise humanitária em grande escala, que alimentará de novo um tal nível de ira e ressentimento que tornará difícil a volta às negociações em um futuro próximo". Questionado sobre o que a Jordânia pode fazer para convencer o Hamas a reconhecer Israel e a renunciar à violência, Abdullah II respondeu que a solução passa pela chamada "iniciativa árabe de paz", lançada em Beirute em 2002 e pela qual todos os Estados árabes se comprometiam a reconhecer o Estado de Israel em troca de o Estado judeu se retirar para suas fronteiras anteriores à Guerra dos Seis Dias, de 1967. "Chamamos o novo governo palestino a aceitar a iniciativa árabe de paz. Só mediante a negociação o povo palestino poderá readquirir seus direitos", afirmou. A vitória da coalizão Kadima nas eleições israelenses também constitui "um terremoto político, que mudou Israel e os territórios palestinos, e agora o processo de paz enfrenta uma situação incrivelmente perigosa", segundo Abdullah II. Questionado se as relações entre Espanha e Jordânia mudaram com o governo de José Luis Rodríguez Zapatero, Abdullah II disse que o político socialista é "um dos mais fervorosos defensores de uma paz justa e global no Oriente Médio". "Também falou com eloqüência da importância de não deixar que um muro de ´ódio e incompreensão´ cresça entre Oriente e Ocidente", afirmou o jordaniano. Neste sentido, qualificou de "inovadora" a iniciativa de Zapatero e do primeiro-ministro turco, Recep Tayyep Erdogan, conhecida como "Aliança de Civilizações". "Qualquer iniciativa tomada com o espírito de respeito ao próximo, suas crenças e suas tradições, que tenha como objetivo superar os preconceitos e a polarização, é muito bem-vinda", destacou.

Agencia Estado,

23 Abril 2006 | 12h47

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