O legado de Alexander Soljenítsin

O historiador Angelo Segrillo fala sobre a obra do escritor russo morto no último domingo, 3

Redação estadao.com.br,

08 de agosto de 2008 | 19h16

O escritor russo Alexander Soljenítsin, morto no último domingo, 3, foi um dos mais contumazes críticos do comunismo soviético da História. Suas obras, especialmente Arquipélago Gulag, publicado em 1973, revelaram ao mundo a repressão do regime russo e os horrores de seus campos de prisioneiros.  Ouça a entrevista de Angelo Segrillo   Em entrevista a Caio Quero, repórter do estadao.com.br, Angelo Segrillo, historiador da USP, UFF e Instituto Pushkin de Moscou, analisa a obra de Soljenítsin e a repercussão de seus livros no contexto da Guerra Fria. Autor do livro O Declínio da URSS: um estudo das causas, o historiador também aborda o impacto que as críticas do escritor tiveram na esquerda do ocidente. Segrillo destaca que o primeiro livro lançado pelo escritor, Um Dia na Vida de Ivan Denisovich, de 1962, foi uma das primeiras críticas diretas ao stalinismo publicadas na União Soviética. Ele explica que a obra apareceu no contexto da desestalinização promovida pelo secretário-geral do Partido Comunista da URSS, Nikita Kruschev,o que possibilitou sua publicação. Com a queda de Kruschev, em 1964, e a intensificação das críticas de Soljenítsin ao regime, o escritor tornou-se uma espécie de 'persona non grata', o que fez com que ele não conseguisse lançar mais seus livros na URSS. Em 1974 ele foi expulso do país.  Exilado nos Estados Unidos, o escritor não negou seu anticomunismo, mas tampouco abraçou o liberalismo. Segrillo classifica o escritor politicamente como 'eslavófilo', por causa de suas ligações com a moral e as tradições russas.

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