O líder do WikiLeaks, vítima da fama

Julian Assange se agita como se estivesse sendo caçado. Num restaurante etíope barulhento, no bairro londrino de Paddington, ele procura falar baixo para despistar os temidos agentes da inteligência ocidental. Pede para os que ainda lhe são fiéis utilizem celulares com código e troca o seu como quem troca de camisa. Assange registra-se em hotéis com nomes falsos, pinta o cabelo, dorme em sofás e no chão, não usa cartão de crédito, apenas dinheiro, com frequência emprestado dos amigos. "Por estar determinado a seguir neste caminho, acabei nesta situação extraordinária", disse ele durante um almoço.

NYT, O Estado de S.Paulo

25 de outubro de 2010 | 00h00

Muita coisa mudou desde 2006, quando esse australiano de 39 anos, depois de anos pirateando no computador, criou o WikiLeaks, redefinindo os métodos de denúncia de fatos ilegais, ao reunir e vazar enormes quantidades de documentos secretos.

Agora não são só os governos que o acusam: alguns dos seus próprios camaradas o estão abandonando, pelo que consideram ser um comportamento despótico e imprevisível. Segundo vários colegas do WikiLeaks, ele decidiu sozinho revelar os documentos sobre o Afeganistão sem remover os nomes das fontes de inteligência afegãs para as tropas da Otan. Assange também está sendo investigado por acusações de estupro e atentado ao pudor envolvendo duas suecas. Ele diz que as relações foram consensuais.

Em meio à controvérsia dos documentos afegãos, Assange voou para a Suécia, onde pediu permissão de residência e proteção. A acolhida inicial foi eufórica. "Eles me chamaram de James Bond do jornalismo", relembrou. "Isso atraiu um punhado de fãs e algumas acabaram me causando problemas."

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