O mago da sobrevivência

Binyamin Netanyahu, de 65 anos, pôs abaixo todas as pesquisas dos últimos meses e conseguiu se impor sobre seu rival, Isaac Herzog. Apesar de as pesquisas de boca de urna apontarem empate técnico nas eleições, Netanyahu já se aventurava, na terça-feira à noite, a dizer que a votação era "uma grande vitória para o Likud e o povo de Israel".

O Estado de S.Paulo

19 Março 2015 | 02h00

Por sua habilidade para superar situações adversas, seus correligionários não duvidaram em cantar ontem o famoso "É um mago, é um mago!", adjetivo que já ostentava quando reverteu as pesquisas que, em 1996, davam a vitória ao veterano Shimon Peres nas eleições após o traumático assassinato de Yitzhak Rabin por um ultranacionalista judeu.

Não tiveram impacto em sua imagem a estagnação do processo de paz - Netanyahu se comprometeu, na véspera da eleição, a não criar um Estado palestino se fosse reeleito - nem o crescente isolamento de Israel na comunidade internacional ou mesmo as ameaças de boicote e as condenações a sua política de assentamentos.

De forma quase mágica também não surtiram efeito a severa crise de habitação que o país sofre desde 2007 - da qual foi recentemente responsabilizado pelo interventor do Estado - nem a redução da qualidade de vida da maior parte da população.

Neste contexto, parece que os israelenses sucumbem sempre aos encantamentos de um mago que há anos os deslumbra com seus dotes de oratória, um inglês perfeito e um imponente currículo acadêmico, militar e político. No exterior, ele é criticado por não renovar o congelamento das construções nos assentamentos, que possivelmente teria evitado o colapso das negociações de paz de 2010.

Sua carreira política só começaria em 1982, como número 2 da delegação diplomática de Israel nos Estados Unidos, de onde passou a embaixador nas Nações Unidas. Em 1988, retornou a Israel e, em uma meteórica ascensão, se tornou, aos 46 anos, o premiê mais jovem da história do país. Após seu primeiro mandato, se afastou da política e retornou em 2002 como chanceler e ministro das Finanças.

Quando Ariel Sharon entrou em coma e seu sucessor, Ehud Olmert, teve de renunciar em razão de casos de corrupção, as portas da chefia do governo se abriram novamente em 2009 e ainda não têm uma data para se fechar. / EFE

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