O ponto de maior risco do resgate na Tailândia

Trecho a 1,7 quilômetro de onde o grupo foi encontrado exige contorcionismo de meninos para sair

O Estado de S.Paulo

08 Julho 2018 | 08h08

O trajeto na caverna de Tham Luan tem vários quilômetros e inclui passagens estreitas e trechos sob a água. A maioria das crianças e adolescentes, com idades de 11 a 16 anos, não sabe nadar e nunca praticou mergulho. Mas os médicos que acompanham os garotos consideram que eles estão preparados para a travessia, mesmo enfraquecidos.

A maior preocupação das autoridades é em relação a uma passagem muito estreita que se encontra a 1,7 quilômetro do local onde o grupo está refugiado. Esta área, chamada de "junção em T" ou "intersecção em T" (em tailandês, "sam yak"), exigirá um certo contorcionismo dos jovens. "A passagem sobe e desce", explicou em 2 de julho Narongsak Osottanakorn, governador da província de Chiang Rai e coordenador das operações de salvamento. Uma vez ultrapassado este obstáculo, as crianças estarão a menos de um quilômetro da terceira 'sala' da caverna, onde os primeiros socorristas montaram seu acampamento. De lá, eles ainda terão que atravessar quase dois quilômetros, mas o perigo estará para trás.

 

O volume exato de água na caverna continua desconhecido, embora tenha caído para um nível aceitável, o que deflagrou o início do resgate. A operação tem a participação de "13 especialistas de nível mundial, procedentes de países com experiência em espeleologia", disse Osottanakorn.

No momento, um mergulhador experiente precisa de 11 horas para fazer uma viagem de ida e volta até o local em que estão os meninos e o técnico: seis de ida e cinco para a volta, graças à ajuda da corrente. A morte de um ex-mergulhador da Marinha tailandesa na sexta-feira (6) durante uma operação de abastecimento mostra o nível de perigo da travessia.

Água turva como café com leite

Um mergulhador da Polícia Federal australiana, Matt Fitzerald, contou durante a semana que a água na caverna era "turva como café com leite". "Não há visibilidade, o espaço está confinado", relatou. Ele conseguiu atravessar uma parte do caminho, mas não chegou a percorrer o trajeto completo até os meninos. A água turva impede os socorristas de verificar seus relógios e outros equipamentos para monitorar o tempo de mergulho. Uma corda ao longo da parede da caverna foi instalada para guiá-los.

O fator psicológico

Além da aptidão física, a preparação psicológica das crianças foi crucial. "Eles foram informados da operação e estão prontos para serem evacuados e enfrentar todos os desafios", disse neste domingo Narongsak Osottanakorn. As crianças puderam receber cartas de seus pais esta semana, levadas pelos mergulhadores. Os familiares transmitiram mensagens de incentivo e de confiança na capacidade dos jogadores mirins de superarem o maior desafio de suas vidas até agora.

Mas mergulhar de novo na água escura que os forçou a se refugiar nas profundezas da caverna não será fácil. O grupo aparenta ser mentalmente resiliente, mas um momento de pânico de um ou outro não está descartado. "Um pânico individual, se houver um problema com o sistema de oxigenação no equipamento de mergulho, ou qualquer outra coisa, poderá ter um grande impacto sobre todos os outros", alerta o especialista britânico em primeiros socorros, Andrew Watson. / RFI

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