'O mais difícil está por vir' na Líbia, dizem Sarkozy e Cameron

Líderes de Grã-Bretanha e França visitam Trípoli nesta quinta, prometendo continuar luta contra Khadafi.

BBC Brasil, BBC

15 Setembro 2011 | 13h27

Em visita à Líbia nesta quinta-feira, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, David Cameron, elogiaram o governo interino do país, mas disseram que "o mais difícil ainda está por vir" e que o esforço por paz e democracia ainda não foi concluído no país do norte da África.

A missão ocidental, que inclui representantes do alto escalão da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), tem como objetivo discutir o futuro da Líbia.

Em entrevista coletiva em Trípoli, Cameron disse que a ação da Otan na Líbia prosseguirá até que as forças do coronel Muamar Khadafi sejam derrotadas. Sarkozy agregou que o coronel, cujo paradeiro é desconhecido, ainda representa "perigo".

Sarkozy e Cameron são os primeiros líderes estrangeiros a visitar a Líbia desde que o Conselho Nacional de Transição (CNT), órgão de oposição a Khadafi, ocupou o poder em Trípoli.

"Ainda há partes da Líbia que estão sob o controle de Khadafi. Ele ainda está foragido e devemos garantir que o trabalho seja terminado", declarou Cameron. "A mensagem para Khadafi e a todos os que estão empunhando armas em nome dele é: acabou. Desistam. Os mercenários devem ir para casa."

Sarkozy disse que o foco atual é consolidar o CNT e combater os últimos bastiões de Khadafi, em vez de pensar em contratos econômicos e de reconstrução da Líbia.

O britânico e o francês também prometeram liberar mais ativos da Líbia no exterior que estavam congelados em resposta ao recrudescimento do conflito líbio, e pediram que a população evitasse atos de vingança e buscasse reconciliação.

Agradecimento

Do lado do CNT, o líder Mustafa Abdul-Jalil agradeceu a ajuda estrangeira, dizendo que a "revolução não teria conquistado o que conquistou sem a ajuda de aliados, e na linha de frente, de França e Grã-Bretanha".

O conselho, que tem o reconhecimento de cerca de 60 países do mundo, usa a visita para tentar reforçar sua legitimidade externa.

"Estamos felizes com esta visita e ansiamos por liberdade e libertação para toda a Líbia, pela captura de Khadafi e pelo estabelecimento de um Estado democrático livre", afirmou Abdul-Jalil.

Cameron e Sarkozy chegaram nesta quinta à Líbia e foram recebidos por multidões anti-Khadafi em Benghazi e Trípoli.

A preparação da visita foi discutida durante semanas, segundo apuraram correspondentes da BBC. O plano inicial era esperar até que a situação de segurança estivesse melhor na Líbia, mas os líderes decidiram antecipar a viagem para dar uma demonstração de apoio ao CNT.

A correspondente da BBC News em Trípoli Rana Jawad diz que, na visão de muitos líbios, os opositores de Khadafi não teriam conseguido consolidar seu poder sem a ajuda da Otan. Esse é um dos principais motivos para elogios tecidos à França e à Grã-Bretanha durante a atual visita.

Jawad relata que os líbios também creem que os países estrangeiros que apoiaram o combate a Khadafi - grupo em que o Brasil não se inclui - podem ser favorecidos em futuros contratos e acordos.

Mas parte da população não se importa com quem ficará a exploração de petróleo - um dos principais ativos do país -, e sim com a forma como os lucros dessa exploração serão reinvestidos no país, explica a correspondente.

Ouro perdido

Nesta sexta-feira, o CNT deve enviar uma delegação ao vizinho Níger, em um esforço para recuperar ouro e dinheiro que, acredita-se, foram levados da Líbia por simpatizantes de Khadafi.

Sarkozy e o chanceler francês, Alain Juppé, também têm agendado um encontro com líderes nigerinos na sexta. O país recebeu diversos comboios com aliados do regime líbio, e havia temores de que Khadafi fugisse ao país. As autoridades nigerinas negaram que isso tenha acontecido. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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