O mártir racial de Los Angeles

Espancado pela polícia em 1991, King foi encontrado morto na piscina de casa, sem sinais de violência

O Estado de S.Paulo

18 de junho de 2012 | 03h01

Memória

Morreu ontem aos 47 anos Rodney King, negro que se tornou símbolo das tensões raciais nos EUA ao ser espancado por quatro policiais de Los Angeles em 3 de março de 1991, num episódio gravado em vídeo. A fita de 10 minutos mostrava King recebendo 56 golpes de cassetete na cabeça, braços e joelhos.

King foi encontrado morto em sua piscina, sem sinais de violência. A causa da morte deve ser divulgada até amanhã. A principal hipótese era a de afogamento.

Os quatro policiais que bateram em King foram julgados por uso excessivo da força e absolvidos no dia 29 de abril de 1992 por um júri composto por dez brancos, um hispânico e um asiático. Pouco depois do anúncio do veredicto, 100 mil pessoas saíram às ruas em uma manifestação que virou rapidamente uma onda de violência iniciada no bairro de South Central, habitado principalmente por negros.

Os manifestantes tomaram como alvos, entre outros, comerciantes coreanos, que organizaram suas próprias patrulhas de vigilância. A polícia, considerada responsável pela absolvição dos agressores de Rodney King, também foi atacada. "Não podemos conviver juntos?", perguntou na época King numa entrevista na TV. Foi necessária a intervenção do Exército para pôr fim à violência. Nos distúrbios, morreram 50 pessoas e houve milhões de dólares em prejuízo.

Em declarações feitas pelo 20.º aniversário dos tumultos de Los Angeles, King disse que o racismo persiste. "Sempre haverá algum tipo de racismo, mas cabe a nós como indivíduos nesse país avaliar retrospectivamente tudo o que conseguimos até agora", afirmou à rede CNN. King teve problemas de alcoolismo durante os ano 90 e recentemente trabalhava em um programa na TV sobre o tema.

Indagado sobre os policiais que o espancaram, ele afirmou: "Eu os perdoei, porque os EUA me perdoaram por muitas coisas e me deram muitas oportunidades". "Se tudo isto tivesse ocorrido nos anos 50 ou 60... Eu não teria sobrevivido."

Depois dos distúrbios, os policiais envolvidos foram acusados de violação dos direitos humanos. Em abril de 1993, dois deles foram declarados culpados e dois foram absolvidos. / AFP

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