O melhor lugar do mundo

Estudo diz que Viena tem a mais alta qualidade de vida do planeta, mas outras cidades poderiam fazer parte da lista

H.D.S. Greenway, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2010 | 00h00

The International Herald Tribune

Nos últimos anos, Viena mudou muito. Para melhor. Recentemente, na lista da Mercer Human Resource Consulting, ela bateu Zurique como a cidade de melhor qualidade de vida do mundo. O que não é uma surpresa para os vienenses, que adoram dizer que Zurique é menor do que o maior cemitério de Viena, mas duas vezes mais chata. Mas os suíços estão com três cidades na lista da Mercer: Zurique, Genebra e Berna. A Áustria só está com uma.

A empresa de consultoria internacional parece ter uma queda por cidades de língua germânica, tendo colocado Dusseldorf, Munique e Frankfurt, ao lado de Viena e Zurique, em sua lista das "top 10". Somente três cidades de língua inglesa foram incluídas: Vancouver, Auckland e Sydney - Genebra é a única cidade francófona.

Todo o mundo tem sua lista de cidades prediletas e as condições para uma cidade ser boa de se viver estão nos olhos de cada um. A Economist Intelligence Unit (braço de pesquisa da revista The Economist) escolheu Vancouver como a cidade com melhor qualidade de vida, com Viena em segundo lugar. mas a lista claramente relacionou seu conceito de qualidade de vida à língua falada: o inglês.

Viena e Helsinque são as duas únicas exceções na lista da The Economist. As demais são Melbourne, Toronto, Calgary, Sydney, Perth, Adelaide e Auckland. A revista também deu preferência para cidades do velho Império Britânico, Canadá, Austrália e Nova Zelândia, talvez por causa da qualidade dos seus sistemas de educação e saúde.

Mas nenhuma cidade da Ásia, África, América do Sul ou dos EUA consta do Top 10 de ambas as pesquisas. E nenhuma cidade da Grã-Bretanha foi inserida. Assistência médica e educação são importantes, é claro, mas, salvo no caso de Viena, nem a Mercer nem a The Economist parecem ter dado ênfase à cultura. Por mais bonita que Calgary seja, não se vive ali por causa de suas óperas ou galerias de arte.

Ar limpo é importante, o que automaticamente deixaria de fora Xangai e Hong-Kong, duas das mais vibrantes e poluídas cidades do mundo. O crime tem de ser levado em contra, o que colocaria de fora Cidade do Cabo e Rio de Janeiro. Em ambas as listas, todas as cidades escolhidas são democracias decididamente liberais e estáveis, o que as diferenciam muito do mundo em desenvolvimento.

Os americanos adoram Londres, centro financeiro que tem uma intensa vida cultural. Mas você precisa de muito dinheiro para viver na capital britânica. Mas, segundo Oscar Wilde, quando todos os bons americanos morrem, eles vão para Paris. Se você é um artista pobre, Berlim pode ser o lugar ideal, com seu entusiasmo criativo e moradia barata. Se preferir o Mediterrâneo, Barcelona pode ser uma boa escolha. Istambul, pelo romantismo, Salzburgo pelo charme, Cingapura pelo aspecto prático, e San Francisco pelo cenário e ambiente, fariam parte da minha lista. E, com certeza, nela haverá lugar para as encantadoras cidades italianas.

Viena sempre me pareceu um pouco triste, com todos aqueles grandes edifícios imperiais, mas presa na fronteira da Guerra Fria. Com o desaparecimento da Cortina de Ferro, no entanto, a cidade tornou-se novamente uma ponte para a Europa do Leste. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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