AP/Fernando Vergara,
AP/Fernando Vergara,

O mistério do ex-guerrilheiro da Farc foragido da Colômbia

Ex-presidente Álvaro Uribe afirmou ter certeza que ex-integrante da guerrilha, Jesús Santrich, compareceria à reunião do Foro de São Paulo na Venezuela; na abertura do evento, ex-colega negou que saiba paradeiro

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de julho de 2019 | 16h04

CARACAS – O senador pelo partido colombiano Força Alternativa Revolucionária dos Comuns (FARC), Julián Gallo Cubillos, conhecido como Carlos Antonio Lozada, afirmou nesta sexta-feira, 26, que desconhece o paradeiro do ex-líder guerrilheiro Jesús Santrich.

A afirmação foi dada em resposta ao ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que denunciou na quarta-feira que Santrich, ex-colega de Gallo quando guerrilheiros nas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e foragido da justiça colombiana, estaria escondido na Venezuela, junto com outros dois ex-guerrilheiros.

Durante a inauguração da 25 edição do evento Foro de São Paulo, o senador Gallo negou saber o paradeiro de Santrich e propôs “perguntar ao general”, que havia afirmado que o ex-guerrilheiro vive na Venezuela.

“Ficamos surpresos que eles sejam muito diligentes para dizer onde está Santrich, mas não vêem os problemas de corrupção nas Forças Armadas da Colômbia”, afirmou.

Seuxis Paucias Hernández Solarte, conhecido como Jesús Santrich, está foragido desde que despistou seu esquema de segurança, em 29 de junho, enquanto visitava o Espaço Territorial de Capacitação e Reincorporação (ETCR) de Tierra Grata, onde ex-guerrilheiros colombianos completam sua reinserção à vida civil.

Anteriormente, Santrich ficou 416 dias preso por causa de uma acusação por narcotráfico, na qual a justiça dos Estados Unidos acusa-o de haver conspirado para enviar dez toneladas de cocaína aos EUA, mesmo após a assinatura do tratado de paz colombiano.

Santrich, junto com Iván Márquez e Hernán Darío Velásquez , o "El Paisa", fazem parte de um grupo de comandantes da antiga guerrilha que estão foragidos há meses, o que multiplicou os rumores de que eles teriam se unido à dissidência das Farc na Colômbia.

Márquez foi o chefe da equipe de negociação das Farc no acordo de paz com o governo colombiano. Santrich também fez parte do grupo. Ambos deveriam assumir uma cadeira no Congresso, como integrantes do partido político fundado pela ex-guerrilha, após a assinatura do acordo de paz no país em 24 de novembro de 2016, após mais de quatro anos de negociações.

Gallo Cubillos, que viajou à Venezuela com autorização da Justiça Especial para a Paz (JEP) denunciou que há “mais de 800 líderes sociais assassinados nos últimos dois anos”, e que desde a assinatura dos acordos de paz entre o Estado colombiano e a antiga guerrilha do país, foram assassinados 137 ex-guerrilheiros.

Mesmo assim, Gallo Cubillos disse estar otimista, pois “a cada dia mais se somam forças em torno da defesa da vida” e citou como exemplo a mobilização convocada para esta sexta em mais de 30 cidades colombianas e outras ao redor do mundo em defesa dos líderes sociais do país andino.

“Em meio à tragédia que estamos vivendo, a sociedade colombiana começa a se mobilizar em defesa da vida e da paz”, apontou. Sobre as atividades realizadas durante o Foro de São Paulo, o senador colombiano disse que entre os temas a serem discutidos, figura a “intromissão” dos Estados Unidos nos assuntos internos dos países latinoamericanos.

Além disso, apontou que os integrantes conversaram sobre “a busca de soluções aos problemas econômicos, sociais e políticos que nos têm afetado historicamente”.

O Foro de São Paulo surgiu em 1990, sob a organização do PT. Os encontros reúnem cerca de 500 políticos internacionais dos movimentos da esquerda, segundo informou a organização em seu site. Com o lema “pela paz, a soberania e a prosperidade dos povos”, os integrantes ficarão reunicos até o domingo, 28, no hotel Alba Caracas. / EFE

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