O ocaso de Angela Merkel

Opções políticas diante da chanceler alemã se esvaem

Helio Gurovitz, O Estado de S.Paulo

26 Novembro 2017 | 05h00

Ela não desistiu, mas as opções diante de Angela Merkel se esvaem. A desistência dos liberais levou ao fracasso da coalizão improvável entre democratas-cristãos, liberais e verdes, vista como única alternativa para ela se manter no poder na Alemanha. Três cenários são agora possíveis:

Os social-democratas voltam atrás e aceitam manter uma coalizão com o partido de Merkel. Com ela na liderança, porém, não há muita chance de conversa. Merkel não tem sucessor aparente.

Num movimento inédito desde a 2.ª Guerra, Merkel governa por meio de uma coalizão minoritária no Parlamento. Nesse caso, não teria força para aprovar nenhum projeto ambicioso.

Novas eleições são convocadas para março do ano que vem – algo também inédito no Pós-Guerra. Hoje as pesquisas sugerem um resultado não muito diferente. Também é duvidoso que ela mantenha a liderança.

Em todos os cenários, Merkel sai perdendo. Ganham seus adversários, em especial os populistas do Alternativa para a Alemanha (AfD). “É muito provável que, com novas eleições, tenhamos uma nova guinada à direita”, disse o sociólogo Datlev Claussen, da Universidade de Hannover, à  Foreign Policy. Fica também mais fraco o projeto de reformas e expansão da União Europeia.

A sucessão da ditadura cubana

A sucessão do ditador Raúl Castro começa hoje com as eleições municipais, as únicas diretas em Cuba. Em fevereiro, os cubanos serão convidados a votar num candidato único, indicado pelo Partido Comunista, no pleito que escolhe os 612 integrantes da Assembleia Nacional. A Assembleia deverá eleger, em seguida, o sucessor de Raúl na presidência. O favorito é o vice Miguel Díaz-Canel. Como em toda ditadura comunista, Raúl permanece com o cargo que detém o poder de fato: a liderança do partido.

A sucessão de eleições latinas

O ano de 2018 promete ser um marco de transição política em vários países da América Latina, a começar pelo Brasil. Há eleições previstas para México, Colômbia, Costa Rica e Venezuela (estas últimas improváveis, diante do endurecimento da ditadura de Nicolás Maduro).

A degola do ancestral de Meghan

Nem a descoberta de ancestrais na casa de Tudor e entre os Plantagenetas serviu para aliviar a barra da atriz americana Meghan Markle com a família real britânica. A namorada do príncipe Harry – plebeia, americana, filha de uma negra com um branco, desprezada pela casa de Windsor – descobriu, graças às pesquisas do historiador amador australiano Michael Reed, que um de seus antepassados longínquos, Lord Hussey, foi decapitado por ordem de Henrique VIII, um dos mais conhecidos reis na linhagem que levou a Harry.

A degola na imprensa americana

Num bolão feito pelo colunista conservador Jim Geraghty, ninguém apostou que o próximo a cair por acusações de assédio sexual fosse o sóbrio Charlie Rose, conhecido âncora da CBS e entrevistador incisivo da PBS, a rede pública de TV americana. A denúncia do Washington Post se soma a várias outras que atingem não apenas Hollywood, mas também a imprensa: Bill O’Reilly, Roger Ailes, Mark Halperin, Leon Wieseltier… e contando.

Inovação e reality show – I

Foi a PBS que levou ao ar o primeiro reality show na história da TV, An American family. Entre janeiro e março de 1973, o programa criado pelo produtor Craig Gilbert acompanhou o dia a dia de uma família californiana de cinco pessoas. Foi retirado do ar depois de 12 episódios, sob críticas por expor a intimidade de um casal à beira do divórcio e a intimidade do filho que escondia ser gay.

Inovação e reality show – II

O mesmo formato estourou em 2007 no canal E! com outra família cheia de problemas – e trouxe, para a vida de todos nós, a esteatopígica Kim Kardashian. Hoje investidora de risco, Kim aposta no Screenshop, um novo aplicativo de moda criado por Mark Fishman e Molly Hurwitz, dois empreendedores do Brooklyn. O usuário tira fotos das roupas que quer comprar e o software pesquisa automaticamente o preço em várias lojas.

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