O perigo das armas de destruição em massa

Membros da Otan devem concentrar forças na construção de um sistema inteligente e unificado que proteja a região atlântica dos mísseis balísticos

Ivo H. Daalder / THE INTERNATIONAL HERALD TRIBUNE, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2010 | 00h00

Artigo

Quando os 28 aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se reunirem em Lisboa no sábado, um dos temas mais importantes da agenda será como enfrentar uma ameaça real e crescente: a proliferação de armas de destruição em massa.

Hoje, a ameaça de uma guerra convencional séria na Europa - preocupação existente quando da criação da Otan, em 1949 - praticamente desapareceu. Os temas da agenda dos anos 90 - estender os princípios da democracia, da liberdade individual e o estado de direito para toda a Europa - estão longe de serem esgotados, mas parecem bem encaminhados.

Agora, as forças da globalização trouxeram novos desafios à segurança da área do Atlântico Norte. E um dos mais urgentes é a ameaça das armas de destruição em massa lançadas por mísseis balísticos.

Não se trata de um perigo distante nem discutível. Os sistemas de mísseis balísticos estão se tornando mais flexíveis, móveis, com capacidade de sobrevida, confiáveis e precisos. Seu alcance vem aumentando, colocando populações e territórios da região transatlântica em risco cada vez maior. Ao mesmo tempo, diversos Estados estão produzindo armas químicas, nucleares e ou biológicas.

A dissuasão e a diplomacia são meios poderosos para se enfrentar essa ameaça crescente. E representam, certamente, nossa primeira linha de defesa. Mas precisam ser complementadas com uma capacidade de defesa confiável e barata contra esses mísseis.

Por isso, os EUA propuseram que, em Lisboa, os líderes da aliança adotem o sistema de defesa territorial contra mísseis. O sistema da Otan não estará começando do zero. A aliança já tem um programa de proteção das forças instaladas. Os EUA querem ampliar isso.

Além disso, os EUA deverão oferecer a parte mais consistente dessa capacidade. Essa contribuição vai explorar os avanços no campo das tecnologias de sensores e interceptadores para instalar rapidamente um sistema de defesa antimísseis inteligente e vigoroso.

Essas capacidades de defesa americanas serão uma contribuição para o sistema de defesa antimíssil da Otan. O sistema da aliança, chamado ALTBMD, reunirá os sensores e interceptadores de todos os Estados aliados num grupo único coerente. O componente chave é uma rede de compartilhamento de informações padronizada que permitirá que um alerta inicial dado por um aliado chegue ao sistema de interceptação do outro, criando uma defesa em múltiplas camadas.

Seu custo será de menos de US$ 272 milhões em dez anos, o que é pouco para uma capacidade de defesa enorme, especialmente com os 28 aliados dividindo os gastos. Para um aliado de meio porte, o custo equivale a um tanque de guerra por ano.

Quando o sistema estiver em operação, os 28 aliados estarão protegidos e poderão estender essa capacidade de segurança para outras nações - incluindo a Rússia, que também está ameaçada pela proliferação de mísseis balísticos. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É REPRESENTANTE PERMANENTE DOS

ESTADOS UNIDOS NA OTAN

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