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O poder de sedução do premiê de Israel, 'Bibi' Netanyahu

Netanyahu tem uma inteligência perspicaz, sutil, com dons de estrategista e mentiroso fora do comum, e isso explica porque em cada eleição ele parece estar encurralado, mas no final da campanha, o caminho ao poder se abre

Gilles Lapouge, O Estado de S.Paulo

09 de abril de 2019 | 05h00

Bibi é o apelido do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, que espera vencer nesta terça-feira, 9, as eleições parlamentares com seu partido Likud e, assim, conseguir o seu novo mandato. Em muitos países, Bibi é um apelido terno. Ele remete a imagens de candura, de ingenuidade. É provável que em Israel a palavra Bibi crie outros significados, pois se há candura em Netanyahu, está escondida.

Em contrapartida, o que se percebe nele é uma inteligência perspicaz, sutil, com dons de estrategista e mentiroso fora do comum, uma ambição implacável. Isso explica porque em cada eleição legislativa ele parece estar encurralado, mas no final da campanha, acende seus pequenos fogos de artifício, e o caminho ao poder se abre.

Este ano, o céu estava muito escuro e ele corre alguns perigos. No primeiro deles, a uma pequena distância das urnas, o premiê foi cercado por um escândalo de corrupção. Um processo de acusação foi aberto em fevereiro sem grandes consequências. Os israelenses não votam em Netanyahu para que ele mostre seu rigor moral, mas sim para garantir a segurança deles.

Segundo perigo: um rival aparece, o general Benny Gantz, ex-chefe do Estado-Maior, mas moderado. Ele tem chances? Em carisma, não é campeão mundial. Nas reuniões, é tímido, desajeitado. Terceiro perigo: ao longo de seu governo, ministros e conselheiros de Netanyahu desertaram, juntaram-se ao partido de extrema direita ou criaram eles mesmos sua pequena formação. Nenhum desses partidos pode intimidar o Likud. Mas, após a votação, no momento da formação de uma coalizão, terá seu peso a possibilidade de os pequenos partidos ultrapassarem a faixa necessária de 3,25% dos votos.

O lançamento das contraofensivas de Bibi começou há algumas semanas, mas está se acelerando nas vésperas da votação. No sábado, ele falou à Television 12. Em caso de reeleição, disse que anexará as colônias instaladas nos territórios ocupados por Israel. Lembremos que as colônias ocupadas por Israel desde 1967 são ilegais do ponto de vista do direito internacional. Mais de 850 mil colonos vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental.

O objetivo é, certamente, seduzir os partidários. A verdadeira questão das eleições tem como foco essa esperança: pôr em marcha a anexação da Cisjordânia. E Netanyahu também está despertando suas conexões com alguns dos principais líderes estrangeiros. Vladimir Putin recebeu Bibi em Moscou na quinta-feira, oferecendo-lhe, graças a seu aliado sírio, os restos de um soldado israelense que morreu no Líbano em 1982. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, veio se curvar ante o Muro das Lamentações. Donald Trump deu belos presentes: o reconhecimento de Jerusalém como capital e de sua soberania sobre as Colinas do Golan, região síria anexada por Israel em 1981.

Paradoxalmente, essa amizade de Trump se intensifica ainda mais, enquanto a diáspora israelense nos EUA (cerca de 6 milhões de habitantes) segue um caminho contrário. Trump é bastante impopular entre o eleitorado judeu, que tem três quartos de democratas e não gosta nem um pouco do atual governo israelense.

Reservas, não em relação a Israel, mas sim a seu governo, são mais fortes na geração mais jovem de judeus americanos. Seus pais sonharam com Israel e a “terra prometida”. Eles são mais liberais, menos rigorosos, o número de casamentos mistos entre eles agora se aproxima dos 50%. No Washington Post, Dana Milbank escreveu: “Nós não sofremos a ameaça diária do Hamas. Se a resposta deve ser o ultranacionalismo e o apartheid, os israelenses devem saber que não podemos apoiá-los”. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

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