O poder do chavismo sem seu líder

Cenário: Jim Wyss / The Miami Herald

O Estado de S.Paulo

25 de dezembro de 2012 | 02h06

A maré vermelha do chavismo varreu todos exceto três governadores de Estado da oposição na eleição do dia 16 e mostrou que pode bater pesado mesmo sem a participação ativa na campanha de seu líder enfermo.

A derrota contundente provavelmente provocará um abalo na coalizão opositora, ainda que ela tenha limpado o campo de batalha deixando o governador de Miranda, Henrique Capriles, como uma das poucas prováveis opções para enfrentar um eventual sucessor de Chávez.

Capriles ganhou Miranda - uma parte da Grande Caracas - com 52% dos votos numa disputa com o ex-vice-presidente Elias Jaua, que havia sido escolhido a dedo por Chávez para derrotar a figura emblemática da oposição.

Mas a Venezuela precisa fazer ajustes econômicos urgentes, incluindo uma desvalorização de sua moeda e o partido governante faria bem em realizar eleições antes que estas reforma impopulares serem aplicadas, disse Risa Grais-Targow, uma analista da América Latina no Eurasia - em contradição às declarações de Diosdado Cabello que, aparentemente, pretende dilatar o processo.

"Em termos dos incentivos econômicos e da necessária desvalorização, acredito que eles precisariam realizar a eleição o quanto antes", disse ela. "Agora, com o impulso das eleições regionais, eles têm ainda mais motivação para fazê-lo." Antes de viajar para Cuba, Chávez pediu para a nação apoiar o vice-presidente Nicolás Maduro, caso sejam convocadas novas eleições.

"A vitória de Capriles em Miranda claramente o posiciona como o único candidato da oposição viável na hipótese muito provável de os problemas de saúde de Chávez obrigarem o chavismo a convocar novas eleições", escreveu um relatório da consultoria Eurasia. "Isso é muito positivo para a oposição no sentido de que facilitará o processo de escolha de um candidato único no que provavelmente será uma campanha muito curta até a realização de novas eleições."

O governo assegura que Chávez está se recuperando lentamente de um procedimento "complexo" - que teria causado uma hemorragia e uma infecção pulmonar. Mas ele não foi visto nem ouvido desde que viajou para a ilha.

John Magdaleno, diretor da firma de consultoria Polity, com sede em Caracas, concorda em que Capriles é o candidato de oposição mais visível neste momento, mas disse que isto poderia mudar à medida que a coalizão de oposição tomar pé depois da derrota do dia 16.

Na disputa regional de 2008, a oposição ganhou seis governos estaduais e levou um sétimo quando o governador de Lara, Henry Falcon, rompeu com com o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Muitos esperavam uma vitória da coalizão em pelo menos cinco ou seis Estados nesta eleição, disse ele.

A derrota "provocará um debate no curto prazo sobre a eficácia da oposição", disse ele. "E vão surgir as perguntas sobre como as decisões estão sendo tomadas no comando da coalizão." Estas perguntas poderão levar a uma nova primária e outras mudanças, que poderiam ameaçar a posição de Capriles.

Há líderes de oposição que poderão não concordar (com a candidatura de Capriles) e tentar apoiar uma alternativa", disse Magdaleno. "Acredito que seja prematuro dizer que ele é o candidato presidencial." / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

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