O possível impacto das conversações na América Latina

Cenário: Sara Miller / CS Monitor

O Estado de S.Paulo

20 de novembro de 2012 | 02h04

Se o governo colombiano firmar um acordo com de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) será o fim de um dos mais longos conflitos armados no mundo. As conversações terão enormes implicações para a Colômbia, que trava uma guerra civil que já dura quase meio século, e beneficiará muito o governo do presidente Juan Manuel Santos. Mas também terá consequências para a região como um todo, política e economicamente, e mesmo na área da segurança.

Qualquer acordo será complicado e não imediato. Mas livrar a América Latina das Farc poderá significar um clima de negócios muito melhor, não só na zona rural da Colômbia, onde o grupo rebelde tem sua base, mas na região como um todo. E pode reduzir as tensões entre a Colômbia e seus vizinhos, Venezuela e Equador. E ainda permitir o nascimento de uma nova esquerda na Colômbia, consolidando uma tendência na região. Poderá também ter impacto sobre o nível de criminalidade no México e na América Central? Algumas pessoas acham que sim.

A América Latina une-se em torno da Colômbia à medida que ela mostra intenção de firmar a paz com o grupo marxista criado em 1964. As Farc, listadas como grupo terrorista pelos EUA, são acusadas por bombardeios em Bogotá e outras cidades até sequestros de figuras influentes, incluindo cidadãos americanos.

Não é a primeira vez que um acordo de paz é tentado na Colômbia: por três vezes conversações foram interrompidas, a mais recente há uma década. A região cerrou fileiras em torno da recente tentativa. As conversações, que começaram em Cuba, são acompanhadas por representantes de Chile e Venezuela. Numa recente entrevista pela TV, o chanceler venezuelano, Nicolas Maduro, disse que "a paz permitirá o aprofundamento das relações. A Venezuela tem tudo a ganhar com a paz. Temos uma fronteira de 2.200 quilômetros de ponto a ponto e a paz ajudará a consolidar projetos de integração, o desenvolvimento econômico, a criação de zonas econômicas conjuntas. É uma grande oportunidade para que projetos, que às vezes são amputados, seja retomados para sempre".

E a paz também deve acalmar as tensões na região. Venezuela e Equador entraram em choque com a Colômbia, especialmente sob o governo do presidente Álvaro Uribe. O líder venezuelano, Hugo Chávez, e até certo ponto Rafael Correa, do Equador, foram acusados pela Colômbia de dar refúgio a rebeldes das Farc. Em 2008 Raúl Reyes, o número 2 do grupo rebelde, foi morto em seu refúgio no Equador, provocando críticas generalizadas pela incursão militar da Colômbia em território estrangeiro. As relações bilaterais melhoraram muito durante o governo de Juan Manuel Santos. Elza Cardozo, professora de estudos internacionais na Universidade da Venezuela, diz que durante anos os analistas afirmam que paz na Colômbia significa paz na Venezuela. Mas o oposto também é verdade. "Sem paz na Venezuela, a paz na Colômbia corre risco", diz ela. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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