O presidente, o povo americano e a esperança perdida

Havia uma história que o povo americano esperava ouvir, mas Obama não contou

Drew Westen, O Estado de S.Paulo

17 de agosto de 2011 | 00h00

Ventava muito em Washington naquele 20 de janeiro de 2009, como parece ocorrer sempre no dia da posse presidencial. Enquanto assistia com minha filha de 8 anos a posse do presidente, fui tomado por uma inquietude. O problema não estava apenas no fato de o homem que sabia ser tão eloquente ter, aparentemente, optado por não o ser naquela ocasião.

A questão é que havia uma história que o povo americano esperava ouvir, mas ele não contou. E, nos meses seguintes, ele continuou a não contá-la. Quando Barack Obama subiu no púlpito, o país estava em frangalhos. Os americanos estavam assustados e furiosos. A economia, saindo dos trilhos. A esperança era tão escassa quanto o crédito.

Em tal contexto, os americanos precisavam que o seu presidente contasse a eles uma história que conferisse um sentido a tudo aquilo pelo qual eles tinham passado, explicasse as causas do problema e mostrasse como a situação seria resolvida. Mas não houve história nenhuma.

Foi para exercer um papel histórico que Obama foi eleito. O momento decisivo foi a forma com que ele lidou com o estímulo. O público precisava de um líder que falasse com confiança e estava preparado para seguir o presidente em qualquer direção. No entanto, em lugar de acusar as políticas econômicas e os princípios que tinham acabado de eliminar 8 milhões de empregos, ele se afastou dos conselhos de seus assessores, que propunham um estímulo substancial.

O presidente diluiu a proposta por meio de cortes nos impostos que já tinham se mostrado inertes. O resultado, como previsto, foi um quase estímulo que quase estimulou a economia. Assim, Obama perdeu a chance de dobrar o "arco da história", como ele mesmo gosta de dizer, em referência à declaração de Martin Luther King Jr. segundo a qual "o arco do universo moral é longo, mas se inclina na direção da justiça. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL .

É JORNALISTA DO "NEW YORK TIMES"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.