''O presidente precisa ver além do próprio horizonte''

Para senador, principal objetivo da Convenção Democrata é tornar escolha clara para os eleitores em novembro

John McCormick, O Estadao de S.Paulo

24 de agosto de 2008 | 00h00

A bordo de seu avião de campanha, o senador Barack Obama voava sobre Indiana em direção a Chicago na última quinta-feira para uma última visita à sua terra natal antes da Convenção Nacional Democrata. Durante o trajeto, ele falou ao Chicago Tribune sobre seus planos e expectativas. Que objetivos o senhor tem para a convenção? A coisa mais importante que podemos fazer é tornar a escolha de novembro clara para os eleitores. Estamos numa encruzilhada histórica. A economia não está funcionando para a maioria dos americanos. Não é apenas a consistente acumulação de más notícias - maior desemprego, maior inflação, etc. As pessoas reconhecem, em parte por causa do alto preço da gasolina, que temos problemas estruturais que precisam ser enfrentados. As rendas e os salários das pessoas permanecem inalterados e seus custos estão subindo. Assim, o que nós queremos fazer nesta convenção está muito claro: mostrar que as políticas de John McCain não se diferenciam dramaticamente das de George W. Bush e por isso não devemos esperar um resultado diferente. O senhor acredita que o eleitorado o conhece bem?Obviamente, queremos ter a certeza de que, ao sair da convenção, o povo tenha uma clara percepção de quem eu sou. Não porque essa eleição diga respeito a mim, mas porque não quero que a estratégia republicana de atacar meu caráter ou deturpar minha biografia se coloque no caminho da capacidade das pessoas de tomar uma decisão clara. Pesquisas mostram que o senhor está perdendo terreno para o senador McCain. O senhor teme que isso possa atrapalhar sua participação na convenção?Eu não sou do tipo que fica obcecado com as pesquisas. Isto é, se o fizesse, a esta altura do ano passado eu teria desistido da disputa presidencial. Nós sempre antecipamos que a disputa ia ser relativamente apertada. Nunca esperei que, saindo da temporada das primárias, teríamos uma vantagem enorme. O candidato republicano teve três, quatro meses em que basicamente suas opiniões não foram contestadas. Além disso, John McCain está na vida pública há 25 anos e tem uma biografia admirável. Eu sou relativamente novo, e as pessoas vão parar, levantar o capô e testar o estepe antes de tomar sua decisão final nessa disputa. O senhor já enfrentou algum teste em sua vida pessoal que possa dar aos americanos a confiança em sua força e coragem pessoal numa crise - como a experiência de suportar a tortura numa prisão vietnamita deu a John McCain? Bem, eu sugeriria que suportar tortura é uma experiência única que nenhum presidente experimentou. Eu chamaria a atenção para a trajetória que percorri durante toda vida. Veja, é muito improvável eu ter chegado aqui. Eu não nasci em berço de ouro, fui criado por uma mãe solteira. Precisei batalhar muito para chegar onde estou agora, e acho que fiz isso sem seguir pelo caminho mais fácil ou comprometer minha integridade. E talvez isso pareça mais fácil do que é. O senhor descreveu patriotismo como "lealdade aos ideais dos EUA" e disse que ele "precisa envolver uma disposição para o sacrifício". O que o senhor sacrificou pelos ideais americanos?Acho que as escolhas que fiz em minha vida adulta para trabalhar como organizador comunitário em vez de aceitar ofertas mais lucrativas, trabalhar como advogado de direitos civis em vez de entrar num escritório de advocacia para ricos, todas essas decisões foram consistentes com a minha crença de que uma vida de serviço é uma maneira de expressar nosso patriotismo. O senhor se visualiza na presidência como o líder do mundo livre ou o líder dos EUA? Antes de mais nada, o líder dos EUA é promotor dos interesses americanos. Mas acho que o destino da economia americana, nossa segurança de longo prazo, também depende de nossa capacidade de forjar alianças e parcerias com outros países, e, certamente, as linhas entre política externa e política econômica ficaram confusas quando comércio e tecnologia fizeram o globo encolher e fizeram bens e serviços cruzarem fronteiras com velocidade alucinante. Questões como o terrorismo são transnacionais. Por isso, meu trabalho como presidente seria cuidar do povo americano e de sua tranqüilidade e segurança, mas parte do trabalho envolve ser capaz de ver além do próprio horizonte. O senhor acha que está melhorando como candidato?Estou, sem dúvida. No curso de 19 meses, você vai ter semanas boas e ruins. Para mim, o desafio não é tanto técnico, tem mais a ver com algo nas entranhas... Você sente que correspondeu à confiança que as pessoas estão experimentando neste momento? Você nem sempre chega lá, mas acho que o que tenta fazer é como atingir a bola no beisebol - você nunca vai rebater com perfeição. Mas o que deseja é ter um bom balanço, e fazer contato, e esperar que sua média de rebatidas melhore com o tempo.

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