EFE/David Armengou
EFE/David Armengou

O presidente que condena o terror fora de casa

A rapidez com que Trump chamou de terrorista o ataque de Barcelona foi espantosa em comparação com Charlottesville

Callum Borchers / THE WASHINGTON POST, O Estado de S.Paulo

18 Agosto 2017 | 05h00

Horas depois do atentado com uma van em Barcelona, que matou pelo menos 13 pessoas e feriu outras dezenas, o presidente dos EUA, Donald Trump, chamou o incidente de “terrorista”. Pelo Twitter, ele afirmou: “Os EUA condenam o ataque terrorista em Barcelona, Espanha, e farão o que for possível para ajudar. Sejam firmes e fortes, amamos vocês.”

No entanto, na entrevista coletiva três dias após um episódio similar em Charlottesville, no Estado de Virgínia, quando um simpatizante nazista investiu seu carro contra uma multidão que protestava contra a violenta manifestação de supremacistas brancos, matando uma pessoa e ferindo 19, o presidente não utilizou a mesma linguagem.

“Foi um ato de terrorismo?”, indagou um jornalista na entrevista. “Bem, acho que o motorista do carro é uma desgraça para ele mesmo, sua família e esse país”, respondeu Trump. “E isso você pode chamar de terrorismo, de assassinato, como quiser.”

Na ocasião, o nome e a ideologia do motorista James Alex Fields Jr. eram conhecidos. Quando Trump escreveu seu tuíte sobre Barcelona, detalhes sobre o condutor da van ainda não tinham sido divulgados, embora seja possível que o presidente estivesse mais bem informado que a população.

Partidários do Estado Islâmico comemoraram o atentado em Barcelona, mas o grupo ainda não tinha assumido a autoria do ataque quando Trump deu suas declarações. Horas depois, veio a reivindicação dos extremistas. 

Vale lembrar que Trump disse na entrevista de terça-feira que prefere ser cauteloso quando faz comentários sobre um incidente violento. “Antes de fazer uma declaração, preciso dos fatos. Eu não me manifesto de maneira precipitada.”

Nesta quinta-feira, quando se manifestou pelo Twitter, a polícia de Barcelona já havia afirmado que se tratava de um ato terrorista. A linguagem usada pelo presidente estava de acordo com a das autoridades.

No entanto, Trump hesitou em seguir a mesma orientação no caso de Charlottesville. Um dia antes da sua entrevista coletiva, o secretário de Justiça, Jeff Sessions, havia declarado em entrevista à ABC News que o incidente “atende ao descrito pela lei como terrorismo doméstico”. Antes disso, o assessor de Segurança Nacional de Trump, o general H.R. McMaster, também usou o termo terrorismo, do mesmo modo que outros republicanos, como o senador Ted Cruz, do Texas.

Trump não disse que o ataque de Charlottesville foi “terrorista”. Pelo contrário, afirmou que a culpa pela violência foi de “ambos os lados”, dos supremacistas brancos e daqueles que se manifestavam contra eles. Na maior parte do fim de semana, o presidente foi o foco da controvérsia envolvendo a resposta que deu aos incidentes letais ocorridos no final de semana.

A rapidez com que ele qualificou de terrorismo o ocorrido em Barcelona foi espantosa em comparação com Charlottesville, e provavelmente não o ajudará nos seus esforços para se ver livre das críticas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

É JORNALISTA

 

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