AFP Photo/Karam Al-Masri
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O que acontece com os refugiados de Alepo após deixarem a cidade?

Civis lidam com o frio, a fome e a carência de atendimento médico; muitos deles estão sendo transferidos para áreas controladas por rebeldes na Província de Idlib

O Estado de S.Paulo

19 Dezembro 2016 | 11h51

Há uma preocupação cada vez maior com relação ao destino dos milhares de civis que estão sendo retirados do leste de Alepo, onde algumas áreas continuam sob controle dos rebeldes. Muitos deles estão sendo transferidos para a Província de Idlib, qualificado por grupos de ajuda como um local inadequado, com comida e suprimentos médicos insuficientes.

Veja abaixo a situação desses refugiados após deixarem a região de Alepo.

Quantas pessoas deixaram a cidade?

Ao menos 6 mil pessoas deixaram a área, incluindo 3 mil soldados e mais de 300 feridos, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH). Mas muitos combatentes se recusaram a sair da região. Alguns relatam medo de serem presos ou forçados a se unir ao Exército sírio, de acordo com informações da rede BBC. Outros afirmam que resistirão e lutarão até a morte. O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, afirmou na quinta-feira que cerca de 50 mil pessoas, incluindo 40 mil civis, ainda estão presas em Alepo.

O que está acontecendo em Alepo?

Um acordo para começar a retirar um grande número de pessoas das regiões controladas por rebeldes foi quebrado na sexta-feira em meio a desentendimentos com relação ao esvaziamento de duas cidades controladas pelo governo, Kefraya e Fuah, na Província de Idlib. A demora em retirar os civis da região deixou milhares deles abandonados. Várias pessoas afirmam que foram forçadas a dormir em áreas externas, com temperaturas abaixo de zero, e pouco ou nenhum alimento. As partes em conflito restabeleceram o acordo nas primeiras horas do domingo, após concordarem em permitir que o mesmo número de pessoas fosse retirada do leste de Alepo, e de Kefraya e Fuah.

Para onde os refugiados estão indo?

Eles estão sendo transferidos para áreas controladas por rebeldes na Província de Idlib. Muitos foram encaminhados para acampamentos temporários enquanto outros estão se abrigando em casas de parentes, dizem voluntários que atuam na região. Os feridos que estão em condições críticas foram enviados para alguns hospitais das áreas de Alepo controladas pelo governo, segundo a Organização Mundial de Saúde.

O que acontece agora?

A Turquia estava se preparando para estabelecer um acampamento para mais de 80 mil pessoas na Síria, próximo à fronteira. A expectativa era de que entre 30 mil e 35 mil pessoas fossem encaminhadas para o local. Contudo, oficiais turcos disseram que os refugiados feridos e doentes podem continuar na Turquia.

Como são as condições de vida em Idlib?

Em muitos lugares as condições são inadequadas, com as famílias se instalando em prédios lotados ainda em construção, sem aquecimento, banheiros ou água potável, informou o Comitê de Resgate Internacional. As instalações no interior do país estão ficando lotadas. Autoridades turcas afirmam que Idlib “não tem capacidade física para acomodar tantas pessoas”, segundo a agência de notícias Dogan. A província já conta com a presença de 230 mil refugiados e cerca de 250 acampamentos informais.

Os refugiados estarão seguros em Idlib?

Agências de ajuda humanitária levantaram alguns questionamentos com relação à segurança dos que estão em Idlib. Grande parte da região é controlada por uma aliança rebelde poderosa que inclui o grupo jihadista Jabhat Fateh al-Sham, conhecido anteriormente como Frente Al-Nusra. A região tem sido bombardeada repetidamente por forças aéreas sírias e russas, e analistas acreditam que ela será um dos próximos alvos do governo sírio. De Mistura afirma que “se não houver um acordo político ou de cessar-fogo, Idlib se tornará a próxima Alepo”.

O que está acontecendo em Kefraya e Fuah?

Organizações humanitárias afirmam que cerca de 20 mil pessoas vivem na região. Soldados pró-governo informaram que muitos moradores que estavam sofrendo com a fome recorreram a comer grama, enquanto os feridos tiveram de passar por cirurgias sem o uso de anestesia.

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