O que aprendemos em Oklahoma City

Massacre prova que, sem lei, não pode haver liberdade

BILL CLINTON, THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2010 | 00h00

Há exatamente 15 anos, o atentado contra o Edifício Alfred P. Murrah em Oklahoma City matou 168 pessoas. Até 11 de setembro de 2001, esse foi o pior ataque terrorista da história dos EUA. Mas o que vimos logo depois - a compaixão, a assistência, o amor que os americanos ofereceram às vítimas e aos seus familiares - foi um testemunho do que há de melhor neste país.

Os que morreram naquele dia eram, em maioria, funcionários do governo. Homens e mulheres que dedicaram suas carreiras a ajudar idosos e portadores de deficiências, nossos veteranos e à aplicação das nossas leis. Dezenove crianças também perderam a vida.

Os que sobreviveram sofreram dores e perdas terríveis. Felizmente, muitos seguiram o conselho de uma mulher que sabia como eles se sentiam. Mãe de três filhos, viúva, cujo marido morrera no voo 103 da Pan Am, em 1988, ela disse: "Não deixem que a perda que vocês estão sentindo paralise a vossa vida. Mas prestem um tributo aos vossos entes queridos levando adiante o que eles deixaram para trás, para garantir que não tenham morrido em vão".

Depois do atentado, Oklahoma City pediu ao Congresso a aprovação da maioria das propostas que eu havia apresentado para a adoção de uma estratégia mais rigorosa na defesa da nação contra o terrorismo, um esforço que continua hoje, como vimos na reunião do presidente Obama, para garantir a segurança do material nuclear.

Não podemos esquecer aquilo que motivou os terroristas, e a justificativa apresentada para seus atos. Levaram ao extremo a crença de que a maior ameaça à liberdade americana é o nosso governo, e que os servidores públicos não protegem nossas liberdades, mas abusam delas. Naquele dia 19 de abril, americanos alienados e desconectados decidiram que o assassinato seria uma forma de defesa da liberdade.

Os americanos gozam de mais liberdade e direitos do que os cidadãos da grande maioria dos países. Mas não temos o direito de recorrer à violência - ou a ameaças de violência - quando não conseguimos o que queremos.

Oklahoma City provou uma vez mais que sem lei não pode haver liberdade. As críticas fazem parte da essência vital da democracia. Ninguém tem razão o tempo todo. Mas devemos lembrar que existe diferença entre criticar uma medida ou um político e demonizar o governo que garante liberdades e funcionários que garantem o cumprimento das leis.

Conforme exercemos o direito de defender nossas opiniões, temos que assumir a responsabilidade por nossas palavras e atos antes que eles atinjam ao mesmo tempo os sérios e os delirantes, os conectados e os perturbados. A virtude cívica pode incluir críticas ásperas, protestos, até a desobediência civil. Mas não a violência e nem a sua defesa. Esta é a linha brilhante que protege nossa liberdade./TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA E AUGUSTO CALIL

É EX-PRESIDENTE DOS EUA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.