EFE/EPA
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O que é o sistema de lançamento de míssil SA-15 que pode ter derrubado um avião no Irã 

Mídia estatal iraniana disse que a queda aparentemente foi causada por falha mecânica

Siobhán O’Grady e Alex Horton / The Washington Post, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2020 | 01h00

As mensagens desencontradas começaram quase imediatamente após a queda de um avião de passageiros ucraniano perto de Teerã, na quarta-feira, com a morte das 176 pessoas a bordo. A mídia estatal iraniana disse que a queda aparentemente foi causada por falha mecânica.

A Embaixada da Ucrânia em Teerã postou uma avaliação semelhante. Agora, funcionários americanos e canadenses dizem ter razões para acreditar que o avião foi derrubado por um míssil da defesa aérea iraniana – possivelmente por acidente.

Na quinta-feira, funcionários americanos disseram ao Washington Post que os EUA acreditam que o avião tenha sido atingido por um míssil disparado por um sistema de lançamento SA-15. Saiba mais sobre esse sistema: 

O que é o sistema de defesa aérea SA-15?

É um sistema russo que permite que os operadores derrubem aviões relativamente próximos. O sistema também é conhecido como Tor.

O SA-15 poder derrubar aviões, armas aéreas de precisão e munição guiada. É capaz de rastrear alvos a até 25 quilômetros e interceptá-los a 10 quilômetros de altura. É desenhado para defesa contra armas voadoras a média e baixa altitude e pode rastrear 48 alvos simultaneamente. Pode ainda disparar dois mísseis quase simultaneamente, se necessário.

Will Mackenzie, pesquisador do Centro para Nova Segurança Americana, disse que o SA-15, um sistema móvel que pode ser mudado de lugar, é uma “plataforma antiga”. Mísseis disparados do SA-15 são desenhados para picotar o alvo com estilhaços quando explodem. O sistema pode atingir alvos a 10 quilômetros.

 

Como os iranianos obtiveram o sistema?

Funcionários russos anunciaram em 2007 que a Rússia havia fornecido a Teerã sistemas Tor-M-1 (SA-15). Segundo o jornal inglês The Guardian, foram fornecidos 29 sistemas, num contrato de US$ 700 milhões.

Michael Duitsman, do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, disse que funcionários americanos ficaram muito preocupados quando o Irã obteve os SA-15 porque se tratou “de um grande avanço em relação aos sistemas que tinha na época”. Mas ele acredita que, se o Irã derrubou mesmo o avião ucraniano, deve ter sido “completamente acidental”.  

“Mas o caso todo é bizarro”, disse ele. "É difícil de imaginar que a equipe iraniana ignorasse o que estava acontecendo e permitisse a decolagem de aviões quando o Irã estava em alerta esperando uma retaliação americana.”

 

Trump disse que alguém no Irã “pode ter cometido um erro”. Isso é possível?

Observadores assinalaram que as forças iranianas estariam em alerta máximo para uma possível resposta dos EUA a ataques iranianos com mísseis a suas bases no Iraque ao mesmo tempo em que houve a queda do avião.

“Preocupados com um possível ataque americano com aviões ou mísseis, eles deviam estar com o dedo no gatilho de seus sistemas”, afirmou Michael Spirtas, da International Security e ex-funcionário do Pentágono, que é especialista em estratégia e defesa aérea. “Eles estavam defendendo ostensivamente algo muito importante para os líderes do país. É difícil, nessas circunstâncias, não tomar a decisão de disparar.”

Quando rastreia uma possível ameaça, o SA-15 não dispara automaticamente. O operador precisa identificar o alvo numa tela e então disparar o míssil, disse à agência Reuters.

 

Que dizem as autoridades?

“Estão dizendo que foi algo mecânico. Pessoalmente, não creio que haja dúvidas a respeito”, pontuou o presidente Donald Trump. O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, disse que “há evidências de que o avião foi derrubado por um míssil terra-ar”, mas acrescentou: “Não acredito que tenha sido intencional”. Mais de 60 dos mortos eram canadenses.

O presidente ucraniano, Volodmir Zelenski, pediu aos dois líderes que compartilhem com ele suas informações, alertando sobre se tirar conclusões com as investigações ainda em andamento.

Ali Abedzadeh, chefe da Organização de Aviação Civil iraniana, disse ter “certeza de que nenhum míssil atingiu o avião”. A Ucrânia está enviando uma equipe de 45 pessoas ao Irã para ajudar nas investigações. Embora o avião fosse um Boeing, de fabricação americana, pode ser complicado para os EUA participarem das investigações devido às sanções americanas em vigor contra o Irã. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

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