Alex Wong/Getty Images/AFP
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O que esperar da audiência do procurador-geral dos EUA no Senado

Jeff Sessions enfrentará uma audiência na Comissão de Inteligência e será interrogado sobre suas relações com funcionários russos

O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2017 | 11h26

WASHINGTON - O procurador-geral dos EUA, Jeff Sessions, enfrentará nesta terça-feira, 13, uma audiência na Comissão de Inteligência do Senado. O depoimento representa um grande risco para a Casa Branca, já que ele será interrogado sobre suas relações com funcionários russos e a possível interferência de Moscou nas eleições americanas de 2016, além da demissão do ex-diretor do FBI (Polícia Federal americana) James Comey.

Veja abaixo os pontos principais que devem ser abordados na audiência.

Acusações

Em março, Sessions recusou ter mantido qualquer contato com funcionários russos relacionado à campanha presidencial de 2016. Apesar de ter justificado as suspeitas somente em razão do fato de ele ter participado da campanha do então candidato republicano e agora presidente, Donald Trump, elas surgiram depois de uma reportagem apontar que o procurador-geral havia tido dois contatos com o embaixador russo em Washington, Serguey Kislyak.

Sessions tem estado sob constante observação depois que seu nome foi citado várias vezes durante a audiência de Comey na Comissão de Inteligência na semana passada. Em uma carta ao Congresso enviada no sábado, o procurador-geral disse que queria tratar desses assuntos diante do mesmo júri.

Informações negadas

Comey havia dito à Comissão que, depois da reunião do dia 14 de fevereiro, Trump tirou os oficiais do Salão Oval, incluindo Sessions, e fez comentários privados que foram interpretados por Comey como uma ordem para abandonar a investigação contra o ex-chefe do Conselho de Segurança Nacional Michael Flynn. Comey implorou para que Sessions não o deixasse sozinho de novo com o presidente, mas este não respondeu.

Em um comunicado divulgado após a audiência do ex-diretor do FBI, o Departamento de Justiça negou as informações relacionadas a Sessions. “O procurador-geral não ficou em silêncio. Ele respondeu ao comentário dizendo que o FBI e o Departamento de Justiça precisava ser cuidadoso sobre seguir apropriadamente as políticas relacionadas aos contatos com a Casa Branca”, segundo a nota.

Explicações

Comey afirmou em sua audiência que não disse a Sessions especificamente o que Trump havia falado porque ele e outros oficiais do FBI esperavam que o procurador-geral logo teria que se explicar, com base em informações confidenciais “que tornariam problemática a continuidade do engajamento na investigação envolvendo a Rússia”.

Esse cenário levou os oficiais a acreditarem que “ele não estaria mais em contato com assuntos relacionados à Rússia”, segundo Comey. Recentemente, a rede CNN informou que o ex-diretor do FBI parecia estar concentrado em “conversas de russos para russos”, sugerindo que Sessions pode ter tido um terceiro contato com o embaixador em abril de 2016 durante uma recepção no Mayflower Hotel, em Washington.

No início de março, o portal The Huffington Post afirmou que Sessions e Kislyak compareceram ao evento, no qual Trump também estava presente. O Departamento de Justiça, no entanto, disse que, na ocasião, Sessions não conversou com o embaixador russo.

Demissão

Um senador democrata questionou Comey na semana passada se Sessions estava aderindo a sua recusa nos assuntos envolvendo a investigação da Rússia diante do fato que, quando Trump demitiu Comey, a Casa Branca divulgou um memorando de Sessions recomendando a demissão do ex-diretor do FBI. O comunicado não mencionava a Rússia, mas Trump disse à NBC News que estava pensando na investigação sobre os russos quando decidiu demitir Comey.

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