REUTERS / Stringer
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Entenda o que está acontecendo no Afeganistão com o Taleban de volta ao poder

Rápida ofensiva, EUA surpreendidos pela queda do governo e influência da Rússia e da China na região marcam o retorno do grupo ao poder

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de agosto de 2021 | 16h58

O Taleban voltou ao poder no Afeganistão no domingo, 15, depois de quase 20 anos. A milícia extremista islâmica entrou em Cabul após poucas semanas de uma ofensiva militar contra o governo do presidente Ashraf Ghani, marcada pela rápida captura de capitais provinciais, em meio à retirada das tropas americanas e da Otan. 

A rapidez com a qual o Taleban voltou ao poder surpreendeu o governo do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, que previa a chegada do grupo a Cabul apenas para meados de setembro. 

Como resultado, o Pentágono teve de organizar às pressas uma operação para retirar diplomatas da embaixada em Cabul, que, em alguns aspectos, relembrou a fuga de Saigon, em 1975, durante a Guerra do Vietnã. 

A fuga de diplomatas, jornalistas, ativistas de direitos humanos e auxiliares afegãos das tropas da Otan no Afeganistão ganhou contornos dramáticos na segunda-feira, 16, quando aviões decolaram do Aeroporto de Cabul cercados de civis e militantes na pista. Algumas pessoas tentaram fugir agarradas à fuselagem das aeronaves – e caíram durante a decolagem. 

A volta do Taleban ao poder já provocou o retorno do temor sobre violações de direitos humanos no Afeganistão. Os maiores alvos do grupo são as mulheres, que entre 1996 e 2001 foram proibidas de estudar ou até mesmo de sair de casa. Há relatos também de que o grupo ordenou a paralisação da vacinação contra a covid-19 no país. 

Com isso, o Taleban encontrou um vácuo propício para avançar e derrubar o governo civil afegão, monitorado de perto por Rússia e China, que possuem interesses estratégicos atualmente na Ásia Central. 

Veja o Mapa do Afeganistão

O que é o Taleban?

O Taleban é um grupo radical formado no fim da invasão soviética do Afeganistão (1979-1989) por estudantes islâmicos que defendiam uma rígida interpretação do Alcorão para governar o Afeganistão. 

Durante a invasão soviética, ainda na Guerra Fria, os Estados Unidos armaram diversos grupos islâmicos, os chamados mujahedin, para combater os russos. Nestes grupos está a gênese não só do Taleban como também da Al-Qaeda, que viria a atacar os americanos em 11 de setembro.

Formado em 1994, o Taleban chegou ao poder em 1996, diante do caos do Afeganistão pós-guerra-civil. Ao abrigar Osama bin Laden nas cavernas de Tora Bora, tornou-se alvo dos Estados Unidos nas semanas que se seguiram ao 11 de setembro. A invasão, comandada por George W. Bush, começou em outubro de 2001, duraria 20 anos.  

No ano passado, o então presidente Donald Trump, negociou um acordo em Doha no Catar, com o Taleban, que previa a retirada americana do país e a libertação de alguns líderes do grupo. 

O plano de sair do Afeganistão foi seguido pelo sucessor de Trump, Joe Biden, dentro da estratégia democrata de focar os interesses geopolíticos americanos do Oriente Médio para o Pacífico.

 

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