O que fica acertado no acordo de cooperação com o Iraque

Depois de dois dias de intensas negociações, o chefe da Comissão de Controle, Verificação e Inspeção da ONU (Unmovic), Hans Blix, e o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed el-Baradei, chegaram nesta segunda-feira a um acordo com o Iraque pelo qual esse país se compromete a ampliar sua cooperação para provar que não possui mais armas de extermínio. O compromisso, expresso em uma declaração conjunta de dez pontos, foi firmado apenas sete dias antes de Blix apresentar ao Conselho de Segurança (CS) da ONU um relatório completo sobre dois meses de vistorias de locais suspeitos. A iniciativa é mais uma tentativa do presidente Saddam Hussein de evitar um ataque dos EUA ao país.Se em seu informe ao CS Blix reportar obstáculos da parte do Iraque ou indícios de que ainda mantém um programa de armas químicas, biológicas ou nucleares, isso poderá servir de pretexto aos EUA para alegar "violação material" das resoluções da ONU - e desfechar o ataque.A declaração conjunta assinala que o Iraque dará mais documentos à Unmovic e esclarecerá as dúvidas sobre outros entregues no inventário de 12 mil páginas enviado ao CS em dezembro; formará equipes próprias de especialistas para levantar evidências de destruição das armas; incentivarácidadãos a permitir inspeções em suas propriedades e dar entrevistas em particular à equipe da ONU (referência a cientistas envolvidos no programa de armas). Até então, o Iraque vinha pondo obstáculos a encontros em privado entre os inspetores e cientistas.Ficou acertado ainda que o país iniciará uma investigação sobre as 12 ogivas vazias adaptadas para armas químicas encontradas na semana passada pela Unmovic no sul do Iraque. Embora estejam inutilizadas, essas armas não foram relacionadas na declaração iraquiana de dezembro.?Resolvemos uma série de assuntos práticos, não todos", explicou Blix aos repórteres em Bagdá. "Quanto aos temas substanciais, relacionados com o antraz, o gás nervoso VX e certo número de mísseis Scud, ainda não os discutimos. Eles serão tratados em algum momento no futuro."Mais tarde, Blix comentou também que o Iraque se recusou a permitir vôos de reconhecimento de aviões U2 sobre seu território, que serviriam de apoio aos inspetores. "Eles impuseram um grande número de condições inaceitáveis para nós", disse Blix.O CS continua dividido sobre o modo de agir no caso do Iraque e isso ficou evidente numa reunião sobre terrorismo, dominada pela crise iraquiana. O secretário norte-americano de Estado, Colin Powell, exortou o conselho a "enfrentar a responsabilidade" se ficar claro que o Iraque viola as resoluções da ONU. Seu ponto de vista foi endossado pelo chanceler britânico, Jack Straw, mas não obteve o aval da Alemanha, França, Rússia e China (os três últimos têm poder de veto no CS, ao lado de EUA e Grã-Bretanha). No dia 28, um dia após a exposição de Blix, o CS analisará seu relatório.O diário norte-americano USA Today informou que a Agência Central de Inteligência (CIA) está utilizando satélites para monitorar Saddam, como parte de um plano para pressioná-lo a deixar o país. Ainda hoje, a Grã-Bretanha, anunciou o envio de mais 26 mil soldados para o Golfo.

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