O que foi decidido

A presidente argentina, Cristina Kirchner, anunciou ontem que a Venezuela será incorporada plenamente ao Mercosul em 31 de julho. A cerimônia que transformará Caracas no quinto sócio pleno do bloco do Cone Sul ocorrerá com toda a pompa no Rio de Janeiro.

ARIEL PALACIOS , TÂNIA MONTEIRO , ENVIADOS ESPECIAIS , MENDOZA, ARGENTINA, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2012 | 03h03

A entrada da Venezuela só foi possível graças à ausência temporária do Paraguai do Mercosul, já que o país estará suspenso das reuniões do bloco durante os próximos dez meses. Após a reunião do Mercosul, presidentes e ministros de 11 dos 12 países da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) também decidiram suspender o Paraguai do bloco.

Segundo Cristina, as sanções serão aplicadas até que o Paraguai tenha "pleno restabelecimento da ordem democrática" e volte ao país "a soberania popular".

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, não esteve presente na cúpula. Ele foi representado por seu chanceler, Nicolás Maduro, uma das figuras cotadas para suceder a Chávez em caso de morte do líder. Chávez insistia na entrada da Venezuela no bloco desde 2004. Cristina não escondeu que a entrada do país caribenho tinha sido possível graças à suspensão do Paraguai: "Enquanto transcorre a suspensão, será realizada a incorporação da Venezuela".

A presidente brasileira, Dilma Rousseff, confirmou em seu discurso a realização da reunião extraordinária do Mercosul no Rio para selar o ingresso da Venezuela. "Esperamos que em 31 de julho seja concluída essa integração", declarou. Na sequência, convidou todos os países interessados a se integrar à entidade regional, para que sejam "agregados os esforços". "Com isso, vamos fazer jus ao tamanho da América Latina", disse Dilma.

Em Caracas, Chávez celebrou a entrada da Venezuela como o quinto sócio do Mercosul: "É uma derrota do imperialismo e das burguesias lacaias". Segundo Chávez, a "burguesia venezuelana" e a "burguesia paraguaia" haviam conspirado de forma coordenada para impedir o ingresso do país no bloco.

Cristina confirmou ainda a suspensão do direito do Paraguai de participar das reuniões do bloco. A punição deixará de valer "quando o Mercosul verificar o pleno reestabelecimento da ordem democrática" no país.

No dia 22, Fernando Lugo foi destituído após um processo de impeachment - rejeitado pelos países do Mercosul, que consideraram o processo uma ruptura da ordem democrática. Cristina referiu-se à destituição de Lugo por parte do Senado e sua substituição pelo vice Federico Franco como "golpe de Estado".

"Temos de fazer neste semestre o melhor esforço para que as eleições de 2013 sejam democráticas, livres e justas", disse Dilma. Cristina afirmou que os países sul-americanos precisam "continuar sustentando a legalidade e a legitimidade, de forma que não sejam permitidos 'golpes suaves' que, sob o verniz de legalidade, estilhaçam a institucionalidade".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.