O que Israel mais teme é a guerra santa

Centenas de árabes muçulmanos - inclusive palestinos - estão aprendendo técnicas de terrorismo em campos organizados por Osama bin Laden, o suspeito de terrorismo mais procurado pelos Estados Unidos, disseram nesta terça-feira especialistas israelenses em terrorismo. Conversando com repórteres, os pesquisadores de Israel afirmaram temer que o atual levante palestino possa ir além de uma luta por um Estado e tornar-se uma guerra santa. Yoram Schweitzer, do Instituto de Política Internacional para Contraterrorismo, sugeriu que os que estão retornando de campos no Afeganistão e na Chechênia estão planejando uma campanha de terrorismo. "Aqueles aprendizes afegãos vêem a disputa nacional entre israelenses e palestinos como uma boa chance de transformar esta confrontação numa guerra religiosa", disse Schweitzer. Palestinos chamam o atual levante de "Intifada de Al Aqsa", referindo-se à mesquita num local sagrado de Jerusalém, reivindicado tanto por palestinos quanto por israelenses. Schweitzer afirmou que o nome oferece uma abertura para os fundamentalistas. "Para eles, o termo Al Aqsa, que carrega uma conotação islâmica, é uma oportunidade maravilhosa", afirmou. O cientista político palestino Ghassan Khatib concordou em que elementos religiosos estão tentando dar um outro sentido ao conflito. Ele disse à Associated Press que o colapso dos esforços de paz e a contínua ocupação israelense da Cisjordânia e Faixa de Gaza fortalecem os fundamentalistas. Ely Karmon, destacado pesquisador do instituto em Herzilya, afirmou que "o objetivo estratégico do Hamas é destruir Israel através da luta armada e transformar um novo Estado palestino em um Estado islâmico". Schweitzer disse que houve recentes manifestações em Londres e outras capitais ocidentais de apoio à "luta islâmica palestina" contra Israel e que líderes rebeldes chechenos prometeram enviar combatentes para a região. "Não é inconcebível que o pessoal do Bin Laden esteja preparando ataques contra israelenses... É uma ameaça. Estou certo disto", afirmou. Os Estados Unidos acusam Bin Laden de ter planejado os atentados a bomba de 1989 contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia que mataram 224 pessoas. Bin Laden, que se acredita esteja no Afeganistão, tem freqüentemente citado Israel como um de seus principais inimigos, mas não foram provados vínculos concretos entre ele e grupos que planejam ataques contra Israel. Em junho de 2000, Israel prendeu Nabil Okal, um membro do grupo militante islâmico palestino Hamas. Israel afirmou que ele havia sido enviado ao Paquistão quatro anos atrás para ser treinado em um dos campos de Bin Laden. Líderes do Hamas negaram ter enviado Okal ao Paquistão ou que eles tenham ligações com Bin Laden. Schweitzer disse ser provável que outros militantes estejam treinando em campos de Bin Laden e que sejam enviados para regiões de conflitos islâmicos a fim de executarem ataques e incentivarem sentimentos religiosos. Tudo que é preciso para deflagar uma guerra santa seria um ataque israelense contra um local sagrado muçulmano, disseram os pesquisadores. Khatib afirmou que não são novos os esforços para transformar o atual conflito numa batalha religiosa. "Os religiosos dos dois lados sempre quiseram transformar o conflito numa luta religiosa", disse. "Mas com o fracasso do processo de paz e a recusa de Israel em pôr fim à ocupação, a posição do campo secular - que é o campo da paz palestino - está abalada por fundamentalistas religiosos que sempre dizem que a única forma de conseguirmos nossos direitos é através do confronto."

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