O que mantém essa gente toda na rua há tanto tempo?

Tem feito muito frio e as temperaturas caem abaixo de zero. O que sustenta os manifestantes em Kiev num clima tão rigoroso só pode ser alguma força interior: uma mistura excepcionalmente intensa de desespero, esperança, abnegação e ódio. Isso mesmo, ódio. O senso moral não proíbe que se odeie os assassinos. Principalmente se os assassinos estão no poder ou a serviço de quem está no poder – com cassetetes, gás lacrimogêneo, canhões d’água, balas de borracha e, desde o dia 22, com munição letal.

CENÁRIO: Yuri Andrukhovich / NYT - O Estado de S. Paulo,

31 de janeiro de 2014 | 00h20

Naquele dia, dois manifestantes foram mortos pela polícia, os primeiros desde o início dos protestos em novembro. Um deles, Serhly, de 20 anos, sonhava se tornar ator. O outro, Mikhail Zhiznevski, da Bielo-Rússia, tinha 25 anos.

Se alguém fomenta o ódio é o governo. Josef Zissels, presidente da Associação das Organizações e Comunidades Judaicas da Ucrânia e vice-presidente do Congresso Judaico Mundial, escreveu dias atrás que o site da polícia especial está "repleto de material antissemita que afirma que os judeus devem ser responsabilizados pela organização dos protestos".

A polícia bateu em mulheres e crianças, até mesmo em sacerdotes que tentam intervir para frear o derramamento de sangue. A polícia não se limita a bater; ela mutila, tortura e mata.

 

YURI ANDRUKHOVICH É POETA, ENSAÍSTA, TRADUTOR E ESCRITOR

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