O que Paul Ryan sabe sobre a política externa americana?

Análise: Fred Kaplan / NYT

É COLUNISTA, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2012 | 03h02

Com a escolha de Paul Ryan para compor sua chapa, Mitt Romney indica que a política externa não será um elemento importante de sua campanha. As poucas declarações que Romney fez não passaram de colagens da mais completa ignorância. Seus ataques ao novo Start (tratado de não proliferação com a Rússia) são as afirmações mais desinformadas sobre o controle de armamentos que já ouvi em 40 anos de debate nuclear. Sua recente viagem à Europa foi um desastre do começo ao fim. Se ele queria desafiar Barack Obama nesse campo, poderia ter escolhido um vice com experiência em política externa, como o presidente fez com Joe Biden.

Ryan não conhece nada de assuntos internacionais. Ele é o presidente do Comitê de Orçamento da Câmara. Os gastos com a segurança nacional, porém, representam 20% do orçamento. Portanto, deveríamos supor que ele tivesse noção de suas dimensões. Em junho, ele fez um longo discurso em que defendeu a austeridade fiscal para evitar o declínio dos EUA como potência mundial.

Intrigante, mas pouco original. Ryan não mencionou qual seria o rumo a ser tomado para evitar esse declínio e nem explicou por que ele é inevitável. Não mostrou conhecimento das dimensões ou do conteúdo do orçamento militar e repetiu todos os clichês da "agenda da liberdade" de George W. Bush. No discurso, ele diz que, desde 1970, os gastos militares encolheram de 39% para menos de 16% do PIB. Ryan nasceu em 1970 e não tem nenhuma memória do que ocorreu, mas poderia aprender com os livros de história.

Durante a Guerra Fria, os EUA mantiveram um arsenal imenso de tanques, artilharia, caças, helicópteros e tropas aquarteladas na Europa. Mas, mesmo se considerarmos os gastos atuais, veremos que a diferença não é tão grande. No pico da Guerra Fria, em 1985, o orçamento militar era de US$ 575 bilhões. Hoje, é de US$ 525 bilhões - sem incluir a verba das operações no Afeganistão e Iraque. Em outras palavras, o orçamento é apenas 9% menor do que era no pico da Guerra Fria. Há algum tempo, Paul Krugman tenta demolir o conceito de que Ryan é um pensador "corajoso' e "sério" em temas econômicos. "Ryan se limita a rabiscar alguma coisa, sem verificar se ela faz sentido", escreveu Krugman recentemente. "Ele não tem uma proposta política séria." O mesmo se aplica às suas ideias sobre política externa.

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