Rohhollah Vadati/ISNA/AFP
Rohhollah Vadati/ISNA/AFP

O que se sabe até agora sobre a queda do avião ucraniano no Irã

Enquanto americanos falam em erro do governo iraniano, autoridades do iranianas descartam possibilidade

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2020 | 16h09
Atualizado 10 de janeiro de 2020 | 14h25

O acidente com o avião ucraniano que deixou 176 mortos no Irã se tornou o novo ponto de conflito entre Irã e Estados Unidos, na crise que se estende desde junho do ano passado.

Ainda pairam dúvidas e contradições em relação ao que de fato aconteceu para que a aeronave caísse. Um dos principais motivos de suspeita é o fato de o governo iraniano ter informado que a caixa preta, fundamental para as investigações, não sairá do país

Confira abaixo o que se sabe até agora sobre o acidente: 

'Abate por acidente'

Autoridades do governo americano ouvidas reservadamente pela revista Newsweek e pelas redes de TV CNN e CBS acreditam que o avião foi abatido pelo Irã por acidente. O presidente Donald Trump não contrariou essa avaliação: 'Alguém pode ter cometido um erro', disse. A afirmação é baseada em dados de satélite e de radares. 

A revista informa que autoridades do Pentágono, da inteligência dos EUA e do governo do Iraque afirmam que o avião caiu após ter sido atingido pelo sistema antimíssil dos iranianos. Entre os 176 mortos, 82 eram iranianos, 63 canadenses, 11 ucranianos, 10 suecos, três alemães e três britânicos. 

Como investigar? 

Regras internacionais definem que a investigação da queda de uma aeronave é liderada pelo país em que ela ocorreu. No caso do Boeing 737, o avião caiu em território iraniano, minutos após ter decolado do aeroporto Imam Khomeini, em Teerã. A Ucrânia, como nação de registro e operação, também tem direito a participar, assim como os Estados Unidos, que representam a própria Boeing, fabricante da nave.

O chefe da agência de aviação civil iraniana, Ali Abedzadeh, afirmou que a caixa preta do avião não sairá do país: “Não a entregaremos para o fabricante e para os Estados Unidos”.   

Ucrânia não descarta nenhuma hipótese

O ministro de Relações Exteriores da Ucrânia, Oleksiy Honcharuk, não descartou a possibilidade de um ataque terrorista relacionado às tensões entre Irã e Estados Unidos. Além disso, na Organização das Nações Unidas (ONU), a Ucrânia pediu "apoio incondicional" para as investigações.

"As circunstâncias desta catástrofe não estão claras. Agora, depende dos especialistas investigarem e encontrarem as respostas. Para fazê-lo, eles precisam receber apoio incondicional para a investigação", disse Sergiy Kyslytsya, vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia. 

Irã diz que não faz sentido falar em ataque

As autoridades iranianas disseram que "não faz sentido" os rumores de um ataque com míssil contra o avião. "Vários voos nacionais e internacionais estavam no espaço iraniano ao mesmo tempo à mesma altura de oito mil pés. Essa história do ataque com mísseis no avião não pode estar correta", diz um comunicado no site do Ministério da Transporte do Irã. 

Relatório aponta fogo antes de queda

Oficiais que investigam a queda do avião divulgaram um relatório preliminar do acidente nesta quinta. De acordo com o levantamento inicial, a aeronave foi consumida pelo fogo antes de atingir o chão. O relatório cita testemunhas que presenciaram o acidente do solo e outras que estavam em uma aeronave que sobrevoava o local. 

O relatório também informa que a tripulação do avião não fez ligação por rádio para pedir ajuda. A equipe tentava fazer o avião voltar ao aeroporto Imam Khomeini, de onde saiu, quando o acidente aconteceu. 

Empresa nunca teve acidentes antes

Segundo o relatório, o jato de três anos, que teve sua última manutenção programada em 6 de janeiro, teve um problema técnico, não especificado, logo após a decolagem. A aeronave desapareceu do radar a 8.000 pés (2.440 metros). Esse foi o primeiro acidente fatal da companhia aérea Ukraine International Airlines, que tem sede em Kiev. Representantes da empresa disseram que as chances de um erro da tripulação são mínimas e que o avião era um dos melhores disponíveis./ Com informações da AFP, Reuters e EFE 

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