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EFE/ Bomberos De Miami
EFE/ Bomberos De Miami

O que se sabe até agora sobre o desabamento de um prédio em Surfside, Flórida 

Bombeiros, cães farejadores e equipes de emergência trabalham nos escombros em busca de sobreviventes

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 20h00
Atualizado 27 de junho de 2021 | 14h23

MIAMI - Bombeiros, cães farejadores e equipes de emergência trabalham nos escombros em busca de sobreviventes após um edifício residencial desabar parcialmente em Surfside, ao norte de Miami Beach, no Estado americano da Flórida. Segundo informações oficias, quatro pessoas morreram e mais de cem ainda não foram localizadas.

O que aconteceu?

Parte de um prédio de 12 andares localizado em Surfside, no Condado de Miami-Dade, na Flórida, desabou na madrugada de quinta-feira, 24. O desabamento ocorreu por volta de 1h30 (2h30 em Brasília), levantando uma grande nuvem de poeira e escombros que se espalhou por várias ruas da região, segundo testemunhas.

Sobreviventes da tragédia ouvidos pela imprensa americana descreveram o desmoronamento como um terremoto e compararam o barulho ao som de um trovão "que nunca parou". Moradora de um apartamento no Champlain Towers South, Raysa Rodriguez, de 59 anos, estava dormindo quando o prédio começou a tremer "como se tivesse ocorrido um terremoto", disse ao The New York Times. Na varanda, ela disse ter visto uma nuvem de fumaça branca, e correu para a porta da frente.

"Quando abri a porta, pensei: não existe mais um prédio", disse Raysa, que mora no apartamento 907, no lado oeste do prédio, que permaneceu intacto. Algumas portas ao lado, da unidade 904 em diante, no lado norte do prédio, tudo foi ao chão.

Outro morador, Barry Cohen, um advogado de 63 anos, disse que ele e sua mulher estavam dormindo quando ouviu algo que soou como um trovão. "Mas nunca parou - durou quase um minuto", disse. Eles saíram para a varanda de seu apartamento no terceiro andar e viram entulho e nuvens de fumaça. Quando tentaram sair pela varanda, a escada foi bloqueada por escombros. "Tudo foi simplesmente dizimado", disse Cohen, que já foi vice-prefeito de Surfside. "Parecia que tinha sido atingido por um míssil."

Quantas pessoas morreram ou ficaram feridas?

A prefeita do Condado de Miami-Dade, Daniella Levine Cava, anunciou, na manhã deste domingo, 27, que quatro corpos foram retirados dos escombros durante a madrugada, subindo o total de óbitos para nove

O novo número de pessoas não localizadas não foi informado. Na noite deste sábado, eram 156 desaparecidos. As autoridades enfatizaram que os números continuarão a mudar à medida que determinem quantas pessoas realmente estiveram no prédio durante a noite do desabamento. Esse grupo de pessoas vem sendo chamado pelas autoridades pelo termo unaccouted for ("não contabilizados", em tradução livre), pois ainda não são considerados como desaparecidos.

"Várias pessoas" foram levadas às pressas para hospitais próximos do local do desabamento, disse um porta-voz da polícia. Pelo menos duas pessoas foram levadas em estado crítico, de acordo com um porta-voz do Aventura Hospital and Medical Center.

Quantas pessoas foram resgatadas com vida?

Cerca de 35 pessoas foram resgatadas da parte do prédio que permaneceu de pé, enquanto outras duas foram retiradas dos escombros com vida, de acordo com o chefe-assistente do Corpo de Bombeiros de Miami-Dade, Ray Jadallah.

Quem são as pessoas afetadas pelo desabamento?

A região onde fica o condomínio tem uma forte ligação com a comunidade judaica e há anos abriga famílias vindas da América do Sul. Muitos judeus e sul-americanos, incluindo uma criança brasileira, estão entre as pessoas consideradas não localizadas pelas autoridades.

Um menino brasileiro de cinco anos está desaparecido, de acordo com o relato da mãe, Raquel Oliveira, de 41 anos. Em um relato em suas redes sociais, Raquel disse que "as buscas não param e vão continuar por dias" e que já entregou uma amostra de seu DNA às autoridades "para compararem com os das crianças não identificadas conforme forem achando".

Cerca de 30 latino-americanos estão sendo procurados, incluindo Sophia López-Moreira, irmã da primeira-dama do país, Silvana López-Moreira, o marido e três filhos do casal. Uma mulher que trabalhava para a família também estava no prédio, de acordo com o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai. Há confirmação de que uruguaios, argentinos, venezuelanos e colombianos também estavam no local no momento do desabamento.

O que sabemos sobre o prédio?

O condomínio Champlain Towers fica na Collins Avenue, no canto sudeste de Surfside. A edificação foi construída em 1981 e tinha 12 andares e 136 apartamentos - dos quais, estima-se, 55 desmoronaram.

Algumas unidades de dois quartos são negociadas atualmente no mercado com preços entre US$ 600 mil e US$ 700 mil, segundo a polícia local (entre R$ 3 milhões e R$ 3,5 milhões na cotação atual).

Por que o prédio desabou?

Ainda não estão claras as causas do desabamento nem quantas pessoas estavam no edifício no momento do incidente.

Em uma entrevista coletiva no final da tarde de quinta-feira, 24, a prefeita do condado, Daniella Levine Cava, disse que era uma "questão de engenharia estrutural".

As autoridades não deram uma razão para o desabamento do edifício. Em uma entrevista coletiva no final da tarde na quinta-feira, a prefeita do condado, Daniella Levine Cava, disse que era uma "questão de engenharia estrutural".

O prédio estava prestes a passar por grandes reparos em partes metálicas e no concreto, segundo o advogado Kenneth S. Direktor, que estava envolvido no projeto. Os reparos foram programados como parte de um processo de revisão e recertificação de edifícios de 40 anos.

Direktor disse que não viu nada que sugerisse que o colapso tivesse algo a ver com os problemas identificados na revisão de engenharia, acrescentando que qualquer edifício à beira-mar dessa idade teria algum nível de corrosão e deterioração do concreto.

De acordo com o o governador da Flórida,  Ron DeSantis, engenheiros estão examinando o que causou o incidente, mas a investigação pode levar algum tempo até ser concluída./NYT, AP, AFP, EFE E REUTERS

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